Toda a administração quer ser lembrada pelo legado que deixa em prol da comunidade. Nesse ponto, a gestão de Marcos Andrade e Fábio Kodama, presidente e vice da ASS – Associação Santos de Surf -, já é considerada bem-sucedida. Além do êxito nas competições realizadas, foi criado o Centro de Treinamento Municipal Santos de Surf, iniciado em abril deste ano e que já vem garantindo resultados práticos.
Instalada no Parque Municipal Roberto Mario Santini, junto ao mais famoso pico de surfe da Cidade, o Quebra-Mar, a iniciativa, em parceria com a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Esportes (Semes), com apoio da Fundação Pró-Esporte (Fupes), reúne 30 atletas, principalmente das categorias de base, com o objetivo claro de recolocar o surfe santista em destaque. Os surfistas têm à disposição uma estrutura completa para treinamentos físico e técnicos, sob a supervisão do professor Pedro Souza, com atividades teóricas e práticas, que vão desde a projeção e análise de vídeos até mesmo aulas de yoga para melhorar a concentração.
“É uma satisfação muito grande ver esse projeto realizado, gerando resultados em tão curto espaço de tempo. Nossa proposta, desde que assumimos, foi promover uma programação para revitalizar o surf de competição. O primeiro passo foi ter um circuito voltado às categorias de base e revelamos bons talentos e agora estamos nesse segundo estágio, voltado ao alto-rendimento e a resposta foi muito rápida”, afirma Marcos Andrade.
Ele acrescenta que proposta é tornar o Centro de Treinamento referência no segmento. “Santos é o berço do surfe no Brasil. As primeiras ondas surfadas foram aqui. E queremos manter essa tradição. Temos grandes nomes na história, como os irmãos Picuruta e Almir Salazar, o Leco, o Renato Wanderley e o Piu Pereira, ambos ex-integrantes do WCT, o Jair de Oliveira, entre outros”, relaciona o presidente da ASS.
Para viabilizar a estrutura, além da parceria com a Semes, cedendo o local e mesmo o treinador principal, que é funcionário efetivo, como técnico desportivo, a ASS firmou o patrocínio com a NRSports, através do Programa Municipal de Incentivo e Apoio ao Esporte (Promifae). “Também temos o apoio da Zampol Surfboards, cedendo as pranchas”, ressalta o presidente Marcos Andrade.
Pedro Souza acredita que para alcançar o objetivo do cenário competitivo, só é possível através do treinamento especializado, como ocorre em outras modalidades. “Os atletas selecionados foram mergulhados em um sistema organizado e controlado de treinamento, pauta numa moderna metodologia de trabalho altamente específica para o desenvolvimento de habilidades físicas e técnica inerentes ao surf de alta performance”, explica Pedro, formado pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Treinamento desportivo.
A grade horária é distribuída semanalmente, de acordo com a previsão de ondas, para definir os dias de treinamento técnico (água), físico e vídeo-análise. “Além disso, fazemos palestras com juízes, shapers, atletas veteranos de sucesso (como ocorreu com Picuruta), vídeo aulas para observação de performance. Tudo visando o desenvolvimento integral dos atletas”, afirma Pedro, que divide os trabalhos com o técnico Rogério Mello.
Para selecionar os participantes do CT, foram realizadas entrevistas com todos os atletas que representavam Santos em competições de surfe, apresentada a proposta de trabalho e feito o convite. “E para fortalecer o time e aproximar referências de sucesso, foram chamados alguns atletas de cidades vizinhas que toparam fazer parte da equipe, como os vicentinos Marcos Corrêa, Kim Matheus e Júlia Santos, além do santista Douglas Noronha, hoje beneficiados desse modelo de trabalho”, argumenta o técnico.
Marcos Andrade e Fábio Kodama comemoram os resultados do trabalho, com exemplos práticos. “Vários atletas figurando nos pódios regionais e nacionais, como ocorreu com o evento do Medina ASM, em Maresias, que entre seis semifinalistas da sub12, três eram do nosso CT, com Yuri Beltrão, Renan Rodrigues e Roberto Alves”, relata Kodama.
“Um novo nome também é Vinicius Ponchet, vindo de vitórias em Bertioga e Santos. Temos o exemplo do Kim Matheus, com a terceira colocação no Pro Júnior Sul-Americano de San Bartolo, no Peru e eu caminha para representar o Brasil no Mundial na Austrália”, acrescenta Pedro. “Além do Marcos Corrêa, que já disputa eventos da WSL e alcançou, recentemente, a terceira posição no QS na Argentina”, reforça o treinador, citando também os irmãos Vinicius e Isadora Parra, Daniel Ferlin entre outros talentos.
Mesmo com pouco tempo de integração, Pedro Souza exalta a união dos atletas, num total espírito de equipe. “Eu, particularmente, estou muito feliz em tocar esse projeto pioneiro, no qual me esforcei muito para colocar em execução, com o apoio do Marcos e do Kodama. Costumo dizer que o surf hoje se consolida como modalidade esportiva e merece uma metodologia própria de treinamento. Merece um núcleo de formação de desenvolvimento de atletas”, fala Pedro.
“E estar à frente disso é muito gratificante. Acredito que temos hoje o primeiro centro de treinamento absolutamente público do País. Além disso, esse grupo é um verdadeiro presente. São pessoas maravilhosas. Independentemente do nível técnico de cada um, tenho o melhor grupo do mundo e não troco esses moleques por ninguém (risos). Acredito que estamos escrevendo as primeiras linhas de mais uma história do surfe.