Em um raro caso de vitória da preservação contra a especulação imobiliária, o big rider Ramon Navarro e a Fundação Punta de Lobos conseguiram salvar o pico das garras de empresas que queriam construir prédios de até 7 andares nos cliffs que marcam a paisagem local.
A batalha de quatro anos foi liderada por Ramon Navarro em um dos locais mais clássicos do big surfe mundial. Localizada na cidade de Pichilemu, a praia de Punta de Lobos vivia sob a ameaça da especulação imobiliária desde 2013, quando autoridades locais sinalizaram aprovar um grande empreendimento nos cliffs do pico.
Ramon Navarro criou uma rede de surfistas, ambientalistas e empresários para salvar o local e com sua influência conseguiu arrecadar fundos para comprar o terreno ameaçado. Agora, ele será transferido para a Fundação Punta de Lobos, cujo objetivo é melhorar a área e prevenir futuros empreendimentos.
“A coisa mais importante é o que este lugar será para as gerações futuras”, diz Ramon ao site Magicseaweed. “Quero que meu filho possa desfrutar desse lugar asism como eu fiz. E nessa batalha aprendi que qualquer coisa é possível”, comenta.
“Para mim, esse trabalho é sobre deixar um legado, e o único caminho para isso é sendo um exemplo e protegendo esses lugares que me deram tantas memórias. Como surfista, campeonatos e troféus são bons para o ego, mas salvar uma onda é para sempre”, completa Ramon.
O empresário local Nicholas Davis, simpatizante da campanha, foi fundamental para o sucesso ao comprar 25% do terreno e interromper os planos de desenvolvimento. Davis ocupou o imóvel sob o acordo de vendê-lo apenas à Fundação Punta de Lobos quando eles tivessem o dinheiro para isso.
Com a ajuda da marca Patagonia e de outras fundações, a galera conseguiu enfim comprar a propriedade, que será entregue à Fundação em breve, protegendo o pico para sempre.
O objetivo da Fundação Punta de Lobos é simples: criar um plano diretor que irá proteger o local de qualquer desenvolvimento desenfreado, melhorar a biodiversidade, preservar o surfe e a pesca, sempre em sintonia com os interesses da comunidade local.