Chloé Calmon

Leveza na caminhada

Apaixonada pelo estilo clássico do longboard, Chloé Calmon encontrou nas ondas o seu maior amor. Por onde passa deixa estilo, leveza e graça. Confira entrevista com uma das maiores representantes do Brasil no esporte.

Entre todos os surfistas do Rio de Janeiro atualmente, poucos talvez sejam tão emblemáticos no momento como a longboarder Chloé Calmon, 25 anos. E não são apenas os números que estão aí para confirmar.
Admirada na praia da Macumba, respeitada nas competições em todo o mundo, a surfista desliza pelos sete mares para exibir seu estilo e graça, combinando a arte do modo clássico às performances mais inovadoras.
Bonita e carismática, a surfista não faz o tipo musa das redes sociais. Ao contrário, inspiradora, esportiva e simpática com seus fãs, ela procura se divertir nas postagens, sem esquecer de dar o importante retorno aos patrocinadores, para transmitir uma imagem pura, limpa e saudável do lifestyle do esporte dos kahunas.
Numa lista publicada recentemente pelo jornal carioca O Globo, Chloé figurou entre as top 10 da história, apesar de ser tão nova. E para celebrar um ano da conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos realizados no Peru, aproveitamos para falar com ela sobre esta importante conquista, bem como o vice-campeonato mundial da modalidade por duas vezes, a relação dela com a praia da Macumba e um pouco sobre os novos objetivos e perspectivas mesmo durante este grave momento de pandemia por Covid-19.

“Essa pandemia afetou todo mundo. Com o surfe não foi diferente e todos os eventos foram cancelados. Só tivemos a primeira etapa do Circuito Mundial, em março na Austrália. Achei que seria um período muito mais difícil, mas para mim teve um respiro sem as competições e sem a cobrança diária de treino. Foi algo que me fez muito bem, foi o primeiro momento que eu tive para relaxar em alguns anos. Foi também um momento em que eu consegui refletir sobre muitas coisas. No início eu nem senti tanta falta do surfe. Sentia mais falta da vida ao ar livre, do contato com a natureza, do sol, da areia, do vento, enfim. Mas depois que voltei a surfar eu senti que estava revigorada, como se fosse uma outra versão minha, muito mais inspirada, fissurada e motivada a me divertir. Voltei dando muito mais atenção às pequenas coisas, sentir o pé na areia, o sol no rosto, o primeiro mergulho na água. Passei a dar muito mais valor a tudo isso depois da pandemia. Percebi que estava num piloto automático de treinamento, de entrar na água me cobrando para ter uma performance perfeita”, revela Chloé.

Confira a seguir os melhores momentos deste papo exclusivo com o Waves.

Você é local da praia da Macumba, mas curte outros picos da região?

Sou local da praia da Macumba, uma das melhores ondas para longboard do Brasil e epicentro do longboard aqui no Rio. Mas também gosto bastante de surfar no Recreio, em frente à minha casa, uma onda mais em pé, que consigo surfar com bem menos gente, praia da Reserva. Também gosto muito do Quebra Mar, em Santos, que é como se fosse minha segunda casa. É uma onda muito boa para longboard. Se fosse escolher as três melhores ondas para longboard no Brasil seriam primeiro Macumba, segundo Quebra Mar e em terceiro Jericoacoara, no Ceará.

Como foi sua trajetória no surfe desde criança? Como se deu o seu desenvolvimento como atleta e por que escolheu o longboard?

Comecei a surfar por incentivo do meu pai, Miguel Calmon, que surfa há mais de 50 anos. Na realidade, não sei quando foi que eu peguei minha primeira onda. Tenho foto ainda de fralda na minha primeira onda. Desde pequena meu pai me levava à praia e me colocava dentro da água. Sempre adorei nadar e estar conectada com o oceano. Então, sempre me senti muito à vontade praticando esporte e sabia que, mais cedo ou mais tarde, ia acabar escolhendo um pra seguir como principal.

Desde pequena eu tive a chance de experimentar todos os esportes possíveis. Minha mãe até tentou me colocar no balé, jazz, sapateado, mas acabou que foi realmente no surfe que eu me encontrei. Ganhei minha primeira prancha quando tinha 10 anos, um funboard, 6 pés, tinha até o desenho da Pantera Cor de Rosa, quando eu comecei a ir à praia com maior frequência, todos os fins de semana com meu pai. A gente ia surfar e com 12 anos eu peguei emprestado o longboard dele.

E digo que foi amor à primeira onda. Eu me apaixonei pelo pranchão, principalmente por dois motivos. Primeiro que, com 12 anos, a prancha mal cabia embaixo do meu braço. Não tinha como carregar fora da água, mas conseguia controlar a prancha dentro do mar. Conseguia domá-la de um jeito que era possível utilizar toda a extensão da prancha. Este desafio me chamou muito a atenção desde sempre.

Em segundo lugar, me apaixonei de cara pelo estilo clássico do longboard. A caminhada sobre a prancha sempre me remeteu ao balé, a uma dança, a um lado superfeminino. Ainda com 12 anos participei da minha primeira competição de longboard aqui no Rio, uma etapa do circuito estadual amador. Não tinha vaga na categoria feminina e acabei entrando na categoria Iniciante Masculino, passei uma bateria e achei aquilo o máximo.

Fazia natação quando era mais nova, cheguei a participar de algumas competições e sempre tive essa veia competitiva dentro de mim. Meu pai sempre foi atleta no surfe e na natação, então eu sempre me dei bem neste meio. Desde o meu primeiro contato no surfe competição eu sabia que era este o caminho que queria seguir, queria ser uma das melhores surfistas do Brasil e, posteriormente, do mundo. Tive muito incentivo do meu pai, da minha mãe, da minha família toda, desde o início. Isso foi essencial para evoluir tanto no esporte, seguir uma carreira, até porque eu comecei a competir e a viajar muito nova.

Como foi chegar até onde está? Quais pontos você considera mais importantes para atingir estes objetivos?

Quando eu comecei a surfar e a competir de longboard tinha uma cena muito forte de competição no Brasil. E a praia da Macumba sempre foi o celeiro de grandes nomes do esporte. Vários campeões nacionais saíram de lá. Então, vendo os melhores do Brasil surfarem no meu quintal desde pequena foi um incentivo muito grande. Existiam de duas a três competições por mês, e dos 12 aos 14 anos eu peguei uma experiência muito grande de competição, porque havia circuito estadual amador e profissional, circuito brasileiro amador e profissional, pro junior.

Acabou que nesta época eu tive a oportunidade de competir em vários eventos, virei profissional com 14 anos e consegui a vaga para entrar no Circuito Mundial e representar o Brasil quando eu tinha 15 anos. Naquela altura, o Circuito Mundial acontecia em Biarritz, França, uma etapa por ano para definir a campeã do mundo. Desde este meu primeiro momento houve um turning point, tudo mudou pra mim, da água pro vinho, pois até os meus 15 anos eu vivia num cenário nacional. E desde o meu primeiro contato com o cenário internacional eu vi que estava muito aquém do nível das gringas. Mas foi ali que eu percebi que queria ser uma delas, uma das melhores atletas do mundo.

A partir deste momento, que me marcou bastante, voltei pra casa e botei na cabeça que eu queria ser campeã do mundo e que eu iria batalhar bastante para chegar ao nível das minha ídolas, independente se iria demorar um ano, cinco ou dez anos, eu sabia que era isso que eu queria. Meu caminho no surfe sempre foi muito natural, sempre tive apoio da minha família.

Com 15 anos eu acabei entrando para o time da Roxy, que era um sonho, com as melhores atletas de longboard do mundo na equipe. Este foi um passo a mais para chegar ao meu objetivo. Acho que o que marcou bastante minha carreira e a minha trajetória foi a minha dedicação e o meu foco desde pequena. Sempre ficou muito claro o caminho que eu queria seguir e aonde eu queria chegar. Sabia que teria que batalhar duro para isso. Por mais que demorasse, pra mim sempre ficou claro que valeria a pena.

Desde então estou no Circuito Mundial, há 11 anos. Já fui vice-campeã mundial duas vezes. E isso é muito legal porque hoje, quando paro e penso nos sonhos da Chloé de 12 anos, eu vejo que já alcancei vários deles e consegui ir muito além. Mas, hoje eu vejo que tenho muito mais para conquistar, muito o que aprender e pontos a evoluir. Porque o surfe é uma jornada de aprendizado, de autoconhecimento e evolução diária, que independe de resultado. Sempre tem algum ponto que você pode aprimorar, algum ponto que você pode dar mais atenção, tanto para ser um surfista melhor como uma pessoa melhor.

Eu cresci praticamente competindo e em todas as minhas escolhas durante a minha adolescência tive que abrir mão de festas, sair com amigos, namorados, mas hoje em dia não me arrependo de nada. Foram por estas escolhas que eu cheguei ao que estou vivendo hoje, o auge da minha carreira. Ainda quero conquistar mais coisas e para mim nunca teve fórmula mágica. Para mim, a fórmula mágica era acreditar naquilo e trabalhar duro para um dia conquistar.

Como é a sua relação com a praia da Macumba?

Eu tinha 12 anos quando comecei a surfar de longboard e toda a galera da escola surfava de pranchinha. Ficava todo mundo me zoando, dizendo que longboard era coisa de velho, só pra onda pequena, pra iniciante, já tinha muito esse estereótipo de o longboard não ser muito bem visto pela nova geração e não ser assim muito popular, porque todo mundo aprende a surfar com prancha grande depois diminui pra prancha pequena.

Quando eu comecei não tinha nenhum amigo ou amiga da minha idade que surfasse de longboard. Como eu sempre ia surfar com meu pai, meus primeiros amigos no surfe eram ele e os amigos dele, o que era muito legal, porque sempre que eu chegava na Macumba, ficava ouvindo as histórias deles, histórias antigas. E eles me ensinaram muita coisa do que eu sei hoje de posicionamento, leitura de maré, de direção de swell, de período, vento. Tudo isso eu aprendi naquela época. Sentava ao lado deles no outside, conseguia me posicionar bem e pegar boas ondas mesmo no meio do crowd da Macumba.

Porque quem já surfou na Macumba sabe que é um crowd animal. Ter crescido na praia da Macumba me deixa preparada para encarar qualquer crowd. É muita gente. Mas é uma onda realmente muito boa. Aliás, essa região onde eu moro e cresci, região do Recreio, aqui no Rio, é a melhor região de surfe da cidade. São várias opções de praia e que funcionam com todas as direções de ondulação, marés, tipo de vento diferente.

Enfim, sempre tem algum lugar de condições surfáveis, é um lugar muito constante, o que me ajudou muito na época em que eu comecei a treinar. Porque todo dia era uma condição diferente, todo dia dava pra surfar uma onda diferente da outra, com prancha diferente. Pra quem é competidor, ter uma onda no quintal de casa que nunca é a mesma, é um fator que te deixa muito preparada para qualquer condição que você venha a encontrar.

Fale um pouco sobre as tuas pranchas. Como elas são?

Tenho meu modelo oficial, desenvolvido na New Advance, com meu shaper Neco Carbone, o modelo Chloé Progressive Series, modelo de competição, uma prancha com uma linha mais progressiva, 9 pés, com encaixe de três quilhas, de epóxi, bastante curvas, bem leve, a prancha que tem sido mágica nos últimos anos e que uso em praticamente todos os mares de meio metro pra cima.

Ela aguenta qualquer condição. Por isso digo que ela é mágica. Confio nela de olhos fechados. Mas ultimamente também tenho gostado muito de surfar com pranchas mais clássicas. Então, hoje meu quiver é bem variado. Mas, ele basicamente se divide entre pranchas progressivas e pranchas clássicas. Das pranchas clássicas eu tenho três, duas logs, uma single fin 9”3’, no meio termo, que funciona bem pra beach break, pra onda maior e mais em pé. E tenho uma 9”6’ log. Pra quem não sabe, log é um modelo de prancha clássica inspirado nos longboards da década de 60, uma prancha maior, pesada, monoquilha, com borda redonda e que favorece o estilo tradicional do longboard.

Como tem sido sua rotina de treinos, mesmo em mares mais pesados?

Minha rotina de treinos envolve bastante tempo dentro da água surfando em condições diferentes todos os dias. A minha preparação física, que é muito importante e tenho focado bastante nos últimos anos porque traz muitos benefícios à minha performance, também inclui yoga. Ao longo do dia sempre tento fazer uma ou duas destas atividades.

Se o surfe está bombando acabo focando mais nas ondas, fazendo algumas caídas por dia. Basicamente minha rotina é essa. Em relação aos mares maiores e mais pesados, como eu falei a Macumba é um lugar que sustenta bastante ondulações maiores. Enquanto outros picos podem estar um pouco passados, o tamanho do swell na Macumba sempre vai ter uma condição, mesmo que seja perto da pedra, mais no meio da praia.

Este ano eu fiz alguns modelos de pranchas mais voltados para ondas maiores e mais buraco. E o que eu tenho testado e tenho gostado é que o yoga me ajuda bastante na parte de concentração e respiração, apneia também. É um trabalho que envolve bastante coisa e que para mim começa fora da água.

https://www.instagram.com/p/CCBwFYjngin/

Como é possível manter um equilíbrio entre o estilo mais lapidado do longboard clássico com a radicalidade do surfe performance?

Para mim, dois pontos muito importantes no longboard são estilo e fluidez. Estilo é uma coisa muito pessoal. Não tem como você tentar imitar ou treinar o estilo de alguém. Cada um tem o seu e isso é muito único. A questão da fluidez é algo que você trabalha e eu, desde pequena, sou uma pessoa muito observadora. Gosto de assistir muitos filmes, vídeos, analiso foto.

Quando chego na praia, seja em competição ou num dia normal de surfe, observo todo mundo na água, quem está com o melhor posicionamento, adoro assistir baterias. Observo bem para aprender o que os surfistas podem me acrescentar de alguma maneira, para que eu possa evoluir. Eu tiro muita influência do surfe de longboard das décadas de 60 e 70, praticamente de quando o surfe começou a se tornar mais popular mundialmente, antes da revolução das pranchinhas.

E o mais legal, é que com este movimento mundial das logs, o retorno do surfe clássico, com pranchas inspiradas nessa época, muito vídeo desta época ainda é atual. Gosto de ver vídeos do Nat Young, David Nuuhiwa, Phil Edwards, Bob McTavish, George Greenough, enfim, atletas muito influentes e que me inspiram bastante hoje em dia. Grande parte desta, não digo nova geração, mas o surf clássico tem tido uma atenção muito maior nos cenários mundial e nacional. É quase como um novo olhar para uma coisa que já existe. É uma coisa segue um pouco de fase.

Tem fase em que eu sigo mais uma linha de surfe e tem fase que eu me sinto mais à vontade surfando onda mais buraco, ondas maiores, surfando com minha prancha progressiva, fazendo uma linha de surfe mais moderna, com foco no surfe de rabeta, com rasgada, batida, cutback. E tem época que estou mais voltada ao surfe tradicional, mais clássico, prestando atenção aos detalhes. Não precisa ser necessariamente um mar grande ou acaba que no mar pequeno posso ficar mais satisfeita. E a questão da fluidez no longboard ela independe do estilo que você está seguindo, progressivo ou clássico.

Na realidade, a fluidez vai além das manobras em si. Mas, o que você faz entre uma manobra e outra, como você começa a onda, como você prepara a sua prancha para fazer determinada manobra. Esses momentos entre uma manobra e outra são o que chamam mais atenção para o estilo e a fluidez. Durante vários anos da minha carreira eu fui uma atleta mais conhecida pelo estilo progressivo, principalmente pela escola e pela cultura de longboard aqui no Brasil, que começou um surfe mais progressivo, com atletas que vieram da pranchinha e que migraram para o longboard. Até pelas ondas no Brasil, sempre surfei com pranchas progressivas, voltadas mais para o surfe moderno.

E na questão de critério de julgamento nas competições avaliavam o mix dos dois estilos, 50% do clássico, 50% para o progressivo. Mas, de uns anos pra cá tem havido uma transição de critério e um novo olhar para o longboard, em que o estilo tradicional é muito mais valorizado, não tem restrição ao tipo de prancha que você usa, mas é como eu falei. Hoje em dia tem o foco não só na execução das manobras, no momento em que elas estão sendo feitas, mas a fluidez entre elas, o que você faz entre elas, a caminhada de passos, o teu olhar para onde você está mirando, a posição dos braços, a posição do corpo, do quadril, enfim, tudo isso acaba influenciando bastante na fluidez.

Na realidade, quando penso na performance e no estilo, tento ser o mais eu possível, surfar da maneira mais natural, mas pensando neste link entre os movimentos para que seja uma ação contínua, não seja uma linha quebrada de ondas, só das manobras. Até mesmo quando eu não esteja fazendo manobra nenhuma, só deslizando na onda em um movimento com nexo e de acordo com a velocidade da onda e o que a onda pede naquele momento. Acho que a maneira mais eficaz de ser natural e conseguir equilibrar a performance e o estilo é tentar compreender o que a onda está pedindo, para você fazer tudo no momento em que ela te pede para ser uma coisa graciosa e fluida entre um movimento e outro.

Fale um pouco do vice-campeonato mundial no ano passado e de sua temporada recheada em 2019.

O ano passado foi o melhor ano da minha carreira, com certeza. O fato de o circuito acontecer em ondas diferentes acabou me favorecendo bastante, principalmente porque tirou aquela pressão de ser um evento só que define tudo. Primeira etapa foi na Austrália, em Noosa Heads, um lugar incrível para o longboard, com bastante história, e eu ganhei a etapa.

A segunda foi em Pantin, Galícia, Espanha, uma onda muito boa que achei bem parecida com a Macumba, onde também consegui a vitória. Terceira etapa foi em Nova Iorque, Long Beach, um evento inédito de longboard, um fundo de areia e as ondas mudavam bastante ao longo da semana, mas eu gostei bastante do ambiente, ondas parecidas com as do Rio e fiquei em segundo nesta etapa. Para finalizar a temporada, a etapa em Taiwan, uma onda bem difícil de ser surfada porque a ilha de Taiwan fica num ponto bem isolado, muito propício a receber tufões, onde você pode encontrar qualquer tipo de condição.

Nesse evento final acabei ficando em terceiro e a junção destes resultados acabou de dando o vice-campeonato mundial. Vejo que a cada ano vou ficando mais madura e que o longboard também está crescendo, evoluindo. Tem pessoas certas no comando, organizando e pensando em prol dos atletas, pensando no crescimento e na popularidade do esporte. No ano passado também consegui conquistar o título Sul-Americano da WSL (World Surf League) pela primeira vez.

Também disputei festivais de log, o principal deles o Duct Tape Invitational, evento organizado pelo Joel Tudor. Ele convida os e as 16 melhores surfistas clássicos do mundo. Eu tive duas vitórias em três participações, além de um quarto lugar. Fui a primeira brasileira a participar desses eventos. Joel Tudor foi e ainda é uma grande inspiração para mim. Além do Duct Tape também tem vários outros festivais de log, como o Mex Log Festival, no México; Nine Foot & Single, da DEUS, que acontece na Indonésia; Ferro Log, na Espanha; Belza Classic, França. Além disso também teve o ISA Games, evento mundial por equipes.

Há um ano você se sagrava campeã dos Jogos Pan-Americanos. Como foi atingir um resultado tão marcante?

Foi a estreia do surfe como esporte olímpico, com entrada do longboard e dos stand up paddle, um marco muito grande para o esporte. Com certeza foi um dos maiores eventos da minha carreira, senão o mais importante, com um retorno de mídia muito grande. Foi uma conquista pessoal muito grande e ajudou o esporte a se tornar muito mais popular.

Ao chegar no Peru caiu a ficha de que eu estava fazendo parte de algo muito grande. A principal diferença ao competir era a de que eu entrava no mar para competir pelo Brasil. Era o Brasil na água contra os Estados Unidos, Peru, Costa Rica. Eu me sentia surfando por todo o meu país e representando toda a comunidade de longboard de todo o Brasil. Sempre sonhei em ouvir o hino nacional ser tocado comigo no pódio e isso aconteceu no Pan. Foi um momento em que eu fiquei tão nervosa, que eu esperava tanto, que eu chorei durante o hino inteiro. Deu branco na letra. Em todas as fotos eu estou com uma cara de choro, mas foi um momento muito especial ver a bandeira do Brasil sendo erguida.

Quais marcas te patrocinam e de que maneira você recebe este apoio?

Tenho patrocínio da TNT Energy Drink, Corona Extra, Roxy, Universidade Estácio de Sá, Neutrox e New Advance Surfboards. Faço parte do time da TNT há mais ou menos um ano e meio. Fui procurada por eles e foi algo muito especial, primeiro por estar numa equipe grande, ao lado de outros grandes atletas e referências no skate.

Eu sou a única surfista do time. A minha imagem do longboard tem a ver com algo mais delicado, mais feminino, sutil, e não está tão relacionada assim à adrenalina e aventura, resistência, força. E desde que eu entrei na equipe TNT, eu sinto que acabo incorporando um pouco da identidade da marca no meu dia a dia, na minha personalidade, no meu surfe.

Então, hoje em dia eu me vejo arriscando mais, saindo um pouco desta caixa que era o que eu acreditava e que guiava a minha personalidade e o meu jeito de surfar. É uma marca totalmente voltada à quebra da nossa zona de conforto diária. Isso é um conceito muito legal.

Qual o papel do seu pai em sua carreira de longboarder de sucesso?

Devo tudo a ele, me apresentou ao mar e me iniciou no surfe. Hoje, sou quem eu sou graças a ele. Por muito tempo foi meu treinador, me ensinou tudo. Só quando eu comecei a viajar com mais frequência ficou difícil para ele me acompanhar por conta do trabalho dele. Mas, ele é o meu torcedor número 1. Vira a noite para assistir baterias.

Depois vai trabalhar como um zumbi no dia seguinte quando estou competindo em um lugar de fuso horário diferente (risos). Ele também é meu empresário e cuida de tudo relacionado à minha carreira. Confio nele de olhos fechados para buscar sempre o melhor pra mim. Nossa relação acaba sendo bem próxima e às vezes fica difícil desvincular a atleta do treinador, do empresário, e do pai e filha. Mas a chance de voltar de uma viagem e poder surfar com ele é um momento muito especial para mim.

Agora a gente estava em Ubatuba e foi a primeira surf trip que a gente fez em alguns anos. Foi muito bom passar estes dias lá com ele. Ele é a pessoa mais fissurada que eu conheço. Pode estar 1 pé, maral ou flat, mas ele vai estar sempre dizendo que tem onda, que dá pra surfar, que teria campeonato, que ele vai cair independente da condição. Pra mim, ele é sempre um grommet no coração.

 

Aviso: O Waves está implementando novas regras para os comentários postados neste fórum. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da matéria em questão. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar abaixo você concorda com nossos termos de uso.
Os comentários postados não representam a opinião do portal Waves e a responsabilidade é inteiramente do autor de cada mensagem.

0 comentários

Tem uma reclamação, sugestão ou viu algum erro? Fale direto com a equipe Waves — em vez de postar nos comentários.

    Carregando comentários…

    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.