Pipe Pro 2024

Irmãos Pupo no comando

Miguel e Samuel Pupo conquistam as duas vitórias brasileiras no primeiro dia do Pipe Pro 2024. Yago Dora, Gabriel Medina, Italo Ferreira e Deivid Silva também garantem vagas no Round 3 da etapa havaiana.
Pipe Pro 2024, North Shore de Oahu, Havaí

Seis dos oito brasileiros da categoria masculina do Pipe Pro 2024 passaram pelo primeiro dia da etapa havaiana. Os irmãos Miguel e Samuel Pupo avançaram com vitórias, enquanto Yago Dora, Gabriel Medina e Italo Ferreira conquistaram suas vagas após ficarem em segundo lugar em suas estreias. Deivid Silva foi para a repescagem, mas não precisou competir após a desistência de Filipe Toledo, que não usou sua última tentativa na etapa por sentir uma intoxicação alimentar. Caio Ibelli foi o outro brasileiro que se despediu da prova em 33º lugar.

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Pipeline não negou fogo nesta quarta-feira (31). A parte da manhã e o fim de tarde foram os melhores horário do dia e contou com séries de 8 a 10 pés abrindo tanto para a direita quanto para a esquerda.

Miguel Pupo foi o melhor brasileiro no dia e o terceiro melhor ao lado do havaiano Barron Mamiya. Ambos venceram seus duelos com 14.10 pontos no somatório.

Os três surfistas da 12ª bateria do Pipe Pro começaram ativos na bancada havaiana. Miguel teve um início melhor. Ele pegou com um bom tubo pra Pipe que valeu 6.50 pontos. O australiano Jacob Willcox abriu com 3.67 e Italo Ferreira com 1.50. Depois de cair dentro do tubo na primeira onda, Italo surfou outra esquerda, mas não achou o canudo.

Miguel voltou a surfar um tubo pra Pipeline aos seis minutos, após Jacob marcar 4.00 pontos para Backdoor. O brasileiro conquistou 6.50 e foi para a primeira posição. Italo e Jacob atuaram na sequência para Pipe, conseguindo também achar a saída de tubos curtos, porém com baforadas explosivas. O brasileiro conquistou 6.00 e o australiano 5.00.

Em último lugar, na necessidade de uma nota 3.00 para assumir o segundo posto, Italo seguiu na busca das ondas. Para o Backdoor ele não trocou nota (0.63), mas para Pipe marcou 6.10 pontos.

Miguel deu mais um passo rumo ao Round 3 aos 16 minutos. O brasileiro novamente completou um tubo limpo e bruto que rendeu um potente spray e a nota 7.60 pontos. Italo passou a precisar de 8.00 para vencer e Jacob de 7.10 para evitar a repescagem.

Jacob usou a prioridade para Pipe quando restavam seis minutos para o fim. O aussie completou um tubo sem ficar muito fundo. Italo pegou a esquerda seguinte, mas caiu na porta de saída. Jacob marcou 5.50 e diminuiu a diferença para 6.60 pontos.

O tempo passou, a bateria terminou e as posições não foram alteradas. Os brasileiros avançaram na etapa e o australiano caiu para a repescagem.

“Estou feliz por conseguir pegar boas ondas, por estar de volta aqui surfando esses tubos, fazendo o que eu amo”, diz Miguel Pupo. “Eu tive que ficar quase um ano todo em casa, em tratamento, me recuperando da contusão. Mas, foi até bom, porque eu estava mentalmente muito cansado desde o ano passado. Eu sinto que fiz a coisa certa e estou muito feliz por estar de volta, bem preparado. Fiz uma boa pré-temporada, consegui vencer um QS no Brasil que me deixou muito feliz e estou contente em começar bem o ano aqui”.

A vitória de Samuel – A primeira vitória do Brasil no Pipe Pro 2024 aconteceu na sexta bateria. Samuel Pupo se garantiu nos canudos de Backdoor e levou a melhor sobre o havaiano Shion Crowford, que também conquistou vaga na terceira fase. Filipe Toledo surfou duas ondas para Pipeline, mas não pegou tubos e caiu para a repescagem.

A disputa teve início com o Shion sendo amassado em Pipeline. O convidado para a etapa fez um drop íngreme, mas não conseguiu se colocar no trilho do tubo e caiu. Aos oito minutos ele acertou outro drop complicado e ficou fundo, mas foi derrubado pela onda na saída do tubo.

Samuel surfou pela primeira vez no Pipe Pro 2024 aos 11 minutos. O brasileiro ficou fundo na direita e saiu por baixo do lip. A atuação valeu 5.67 pontos e a liderança. Filipe ficou com a prioridade. Shion surfou um bom canudo aos 15 minutos. O havaiano fez um drop difícil e antes de completar a cavada já estava dentro do tubo, de onde saiu instantes depois com facilidade. Com a nota 8.00 o havaiano foi para a primeira posição.

Samuel retomou a liderança aos 17 minutos. O brazuca passou por dentro de Pipeline, saiu, rasgou e bateu para anotar 4.33 pontos. Filipe entrou em ação pela primeira vez no duelo aos 23 minutos. O bicampeão mundial foi pra Pipe, mas não achou tubo (0.50). Naquele momento ele precisava de 8.47 para evitar a repescagem.

Shion tentou os dois pontos que precisava para vencer, mas não melhorou sua situação no confronto. Samuel entrou na onda seguinte para Backdoor. Restavam três minutos para o fim. O brasileiro desapareceu dentro do tubo e saiu com segurança para conquistar 7.33 e confirmar a vitória. Shion avançou em segundo lugar e Filipe, que surfou mais uma sem tubo para Pipe, foi para a repescagem.

“Este é o primeiro ano que estou realmente concentrado na minha vida como profissional, cuidando da saúde, alimentação, além de estar treinando bastante dentro d´água”, revela Samuel Pupo, que garantiu sua vaga no CT 2024 com a vitória na última etapa do Challenger Series, em outubro no Saquarema Pro. “Foi muito treino depois de Saquarema. Não tive muito tempo até chegar aqui, então já voltamos logo ao trabalho e estou muito feliz por começar bem a temporada. Minha última onda não foi excelente, mas eu sabia que a pontuação seria suficiente para passar a bateria”.


Filipe desiste do evento – Filipe competiria no primeiro duelo da repescagem contra Deivid Silva e o havaiano Seth Moniz. Segundo a equipe do atleta, o atual bicampeão mundial sofre de intoxicação alimentar. Com a desistência ele finalizou a competição em 33º lugar.

Yago abre a etapa – Yago Dora foi o primeiro brasileiro a garantir vaga na terceira fase do Pipe Pro. O surfista ficou em segundo lugar na disputa vencida por Matthew McGillivray. Kade Matson terminou em último lugar e caiu para a repescagem.

Matthew surfou as três primeiras ondas do CT 2024. Aos dois minutos o sul-africano foi para o Backdoor e completou um tubo limpo que valeu 5.17 pontos. Quatro minutos depois ele executou um drop difícil de backside para Pipeline, chegou a derrapar a rabeta, mas conseguiu colocar no trilho do tubo, sumiu lá dentro e saiu junto com a baforada. A atuação valeu a nota 7.17. A terceira onda surfada também foi para Pipe, mas não teve tubo.

O segundo atleta a surfar no ano foi Kade Matson. O norte-americano surfou de frontside para a direita de Backdoor na metade da disputa. O estreante na elite não conseguiu ficar muito fundo e saiu sem dificuldade. Aos 16 minutos foi a vez de Yago Dora entrar em ação. O brasileiro acelerou no trilho de Pipeline, saiu sem problemas, executou um cutback e caiu na tentativa de um aéreo. O norte-americano conquistou 4.50 e Yago 3.17 pontos.

Yago pegou outra esquerda logo depois. O brasileiro desapareceu no canudo, saiu com o spray da onda e assumiu a segunda posição com a nota 5.83 pontos.

O último terço da bateria de 30 minutos começou e os três surfistas entraram em ação, mas nenhum pegou tubo. Kade levou uma vaca assustadora quando remou numa direita da série e voou de perto do lip após subir na prancha. Ele caiu com o corpo de lado na base da onda. Kade precisava de 4.51 pontos para avançar no Pipe Pro.

Kade e Matthew surfaram no minuto final, mas as posições da bateria não foram alteradas. Matthew avançou para a terceira fase junto com Yago e Kade precisará enfrentar a repescagem.


Medina também avança em segundo lugar – Gabriel Medina e Callum Robson travaram um belo duelo na primeira fase do Pipe Pro 2024. A bateria entre eles e Deivid Silva foi a segunda do evento. Medina marcou a primeira nota no critério excelente da prova, mas o australiano surfou um tubo ainda melhor e venceu a batalha. Medina também garantiu vaga na terceira fase, enquanto Deivid terminou em último lugar e caiu para a repescagem.

Callum abriu a bateria com uma onda fraca (1.77), e aos nove minutos completou o primeiro tubo da disputa. O australiano não ficou muito tempo entocado em Backdoor e conquistou a nota 3.67 pontos.

Os brasileiros atuaram aos dez minutos. A esquerda de Deivid Silva não teve tubo. Medina usou a prioridade numa atuação pra Pipe com o intuito de bloquear Callum, para que o australiano não ficasse fundo na onda e conseguisse uma boa nota. O tricampeão mundial surfou novamente dois minutos depois. Medina pegou um canudo curto para anotar 2.50.

A bateria chegou aos 15 minutos. Medina tinha a terceira prioridade, mas achou uma boa esquerda. O drop foi difícil, mas ele acertou, botou pra dentro, sumiu e saiu limpo para garantir a primeira nota no critério excelente do Pipe Pro 2024, 8.33 pontos.

Aos 23 minutos Medina foi para Backdoor e completou um tubo curto. Callum deu o troco na sequência. O australiano usou a prioridade, ficou fundo na esquerda e saiu após a baforada. Medina conquistou a noat 4.00 enquanto Callum assumiu a liderança com 9.00 pontos.

Os três ainda surfaram outros tubos nos dez minutos finais, mas só Callum trocou de nota (4.67) e confirmou a vitória. Medina ficou em segundo lugar e, assim como o australiano, avançou no Pipe Pro. Deivid Silva terminou na última posição.


Caio em 33º / John John melhor do dia – Semifinalista das últimas duas edições da etapa de Pipeline do CT, Caio Ibelli ficou em último lugar nas duas baterias que disputou nesta quarta-feira e foi eliminado.

Caio estreou na sétima disputa, que teve John John Florence como vencedor com o maior somatório da quarta-feira. A primeira onda de destaque do havaiano foi surfada aos 11 minutos. O bicampeão mundial foi pra Pipeline, sumiu dentro do canudo e apareceu depois da baforada. A nota foi 8.33 pontos.

Caio chegou na metade do confronto com a prioridade e em terceiro lugar. O brasileiro já havia ficado fundo numa esquerda, mas sem achar a saída. Ele precisava de 3.84 pontos para avançar. O norte-americano Jake Marshall ocupava a segunda posição e necessitava de 9.06 para vencer a bateria.

O brasileiro usou o direito de escolha de onda aos 17 minutos. Caio ficou entocado numa esquerda da série e saiu com segurança para conquistar 7.50 pontos e pular para o segundo lugar.

A bateria chegou no último terço e John John aumentou a distância para os adversários. Ele foi novamente pra Pipeline e saiu junto com um forte spray para anotar 6.87 pontos. Jake também atuou pra esquerda e retomou a segunda posição com 6.60. Caio passou a precisar de 2.87 para avançar no Pipe Pro.

O brasileiro usou a prioridade aos 23 minutos, mas não conseguiu ficar fundo no tubo e a nota 2.33 pontos não alterou sua posição no confronto. Três minutos depois ele voltou a surfar de backside, porém a onda balançou e ele caiu. Jake dificultou a vida de Caio depois de pegar um bom canudo para a direita. Ele adicionou 7.87 ao somatório e deixou Caio na necessidade de 6.98 para evitar a repescagem.

Caio ainda fez mais uma tentativa, mas procurou ficar muito fundo na onda e acabou sendo derrubado em Pipeline. John John venceu com 15.20 pontos, o maior somatório do dia.


Caio fica na repescagem – A primeira metade da terceira bateria da repescagem teve apenas uma nota acima de 1 ponto. O autor foi Jacob Willcox que colocou 5.33 pontos no somatório. O australiano novato na elite seguiu num ritmo melhor que os adversários e anotou mais 4.83

Após marcar 2.17 pontos, Caio surfou pra Pipe e Ian Gentil foi para Backdoor. Os dois completaram os tubos. O brasileiro conquistou 4.00 e o havaiano foi melhor com 4.93 pontos.

A bateria chegou nos seis minutos finais com Jacob tranquilo na liderança, enquanto Caio estava em segundo lugar e Ian em terceiro. O havaiano precisava de apenas 1.24 ponto para avançar. Ian atuou um minuto depois e fez um tubo curto para Backdoor. O surfista de Maui marcou 3.93 e assumiu a segunda posição. Caio ficou com a prioridade e na necessidade de 4.87 para avançar. Nenhuma outra onda apareceu até o fim e o brasileiro foi eliminado.

Próxima chamada – A próxima chamada para o Pipe Pro 2024 acontece nesta quinta-feira (1/2), às 14h45 para um possível início às 15h (de Brasília).

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Transmissão ao vivo – O Pipe Pro abre a temporada 2024 do World Surf League Championship Tour. O prazo máximo para a realização do evento é 10 de fevereiro. O campeonato será transmitido ao vivo do Havaí pelo Sportv e Globoplay e em português também pelo WorldSurfLeague.com, aplicativo e Canal da WSL no YouTube.

Pipe Pro 2024
Round 1 Masculino

1 Matthew McGillivray (AFR) 12.34 x Yago Dora (BRA) 9.00 x Kade Matson (EUA) 5.30

2 Callum Robson (AUS) 13.67 x Gabriel Medina (BRA) 12.33 x Deivid Silva (BRA) 4.64

3 Jack Robinson (AUS) 12.27 x Kelly Slater (EUA) 11.67, Rio Waida (IDN) 1.70

4 Griffin Colapinto (EUA) 10.07 x Ramzi Boukhiam (MAR) x Seth Moniz (HAV) 6.80

5 Jackson Bunch (HAV) 10.17 x Ethan Ewing (AUS) 8.33 x Cole Houshmand (EUA) 7.03

6  Samuel Pupo (BRA) 13.00 x Shion Crawford (HAV) 9.27 x Filipe Toledo (BRA) 1.77

7 John John Florence (HAV) 15.20 x Jake Marshall (EUA) 14.47 x Caio Ibelli (BRA) 9.83

8 Leonardo Fioravanti (ITA) 6.60 x Frederico Morais (POR) 4.57 x Liam O´Brien (HAV) 3.60

9 Ryan Callilnan (AUS) 10.33 x Imaikalani deVault (HAV) 9.84 x Jordy Smith (AFR) 3.10

10 Eli Hanneman (HAV) 9.70 x Kanoa Igarashi (JPN) 7.50 x Connor O´Leary (AUS) 4.40

11 Barron Mamiya (HAV) 14.10 x Crosby Colapinto (EUA) 11.83 x Ian Gentil (HAV) 5.50

12 Miguel Pupo (BRA) 14.10 x Italo Ferreira (BRA) 12.10 x Jacob Willcox (AUS) 10.50

Round 2

1 Seth Moniz (HAV) x Deivid Silva (BRA) x Filipe Toledo (BRA) W.O (intoxicação alimentar)

2 Connor O’Leary (JAP) 12.33 x Kade Matson (EUA) 8.37 x Rio Waida (IDN) 6.50

3 Jacob Willcox (AUS) 10.16 x Ian Gentil (HAV) 8.86 x Caio Ibelli (BRA) 6.17

4 Liam O’Brien (AUS) 12.33 x Jordy Smith (AFR) 10.00 x Cole Houshmand (EUA) 5.77

Round 3

1 Ethan Ewing (AUS) x Kelly Slater (EUA)

2 Samuel Pupo (BRA) x Liam O’Brien (AUS)

3 Ryan Callinan (AUS) x Jake Marshall (EUA)

4 Connor O’Leary (AUS) x Jackson Bunch (HAV)

5 Jack Robinson (AUS) x Ramzi Boukhiam (MAR)

6 Italo Ferreira (BRA) x Jordy Smith (AFR)

7 Barron Mamiya (HAV) x Frederico Morais (POR)

8 Yago Dora (BRA) x Jacob Willcox (AUS)

9 Griffin Colapinto (EUA) x Shion Crawford (HAV)

10 Ian Gentil (HAV) x Kanoa Igarashi (JAP)

11 Gabriel Medina (BRA) x Crosby Colapinto (EUA)

12 Miguel Pupo (BRA) x Imaikalani deVault (HAV)

13 John John Florence (HAV) x Deivid Silva (BRA)

14 Callum Robson (AUS) x Seth Moniz (HAV)

15 Matthew McGillivray (AFR) x Eli Hanneman (HAV)

16 Leonardo Fioravanti ((ITA) x Kade Matson (EUA)

Round 1 Feminino

1 Tyler Wright (AUS), Bettylou Sakura Johnson (HAV), Luana Silva (BRA)

2 Carissa Moore (HAV), Sally Fitzgibbons (AUS), Brisa Hennessy (CRC)

3 Caroline Marks (EUA), India Robinson (AUS), Moana Jones Wong (HAV)

4 Caitlin Simmers (EUA), Gabriela Bryan (HAV), Isabella Nichols (AUS)

5 Molly Picklum (AUS), Tatiana Weston-Webb (BRA), Alyssa Spencer (EUA)

6 Lakey Peterson (EUA), Johanne Defay (FRA), Sawyer Lindblad (EUA)

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    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.