Kiko Surfboards

Lord K, nobreza do shape

Anarquilha fala com Francisco Giannattasio Neto, da Kiko Surfboards, mundialmente conhecido como Lord K, arquiteto, músico, cartunista e shaper de outro mundo.
Tito Rosemberg, Kika e Kiko. Lendas do surfe brasileiro em torno de boas ideias e ideais.

Kiko, irmão mais velho do Pinguim, of the best Surf Racks, o Francisquinho da vovó, gerado numa travessa da Paulista e nascido na Maternidade de São Paulo, Chico Giannattasio Neto ou Ratazana, como era mais conhecido no Vocacional Oswaldo Aranha, cuja seleção de 1.800 candidatos para 120 vagas, quis enfrentar aos 8 anos de idade, quando seu melhor amiguinho no Pio XII do Morumbi, o hoje renomado fotógrafo Marcio Sacavone, filho do escritor premiado, Rubens Scavone, pioneiro da ficção científica no Brasil, presidente da Academia Brasileira de Letras, modernista, humanista, progressista, contou que seu pai intelectual, havia recomendado a experiência educacional púbica revolucionária da educadora de vanguarda Maria Nilde Mascellani, criadora dos ginásios vocacionais no Estado de São Paulo, três anos antes, em 1961.

Aluno mais jovem selecionado, com 9 anos recém-completados em setembro, ingressou na turma de 1964, em meio à crise política brasileira, que culminaria na tomada de poder pelos militares com o golpe de estado no final de março daquele ano, ao lado de Willian Waack, Tomas Roth e Guilherme Arantes, com quem iniciou sua carreira musical como baterista, amigos inseparáveis até sua entrada na FAU USP, em 1971, aos 17 anos.

Frequentador assíduo de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, onde seu avô, dono do Bouticão Universal, na rua Florêncio de Abreu, maior distribuidora de equipamentos para dentistas da América Latina na época, amante da pesca em alto mar, ancorava sua enorme e possante traineira nas águas calmas do Rio, para encarar a barra rumo à Queimada Grande, com sua arrebentação sinistra.

Ali nascia o amante das ondas, estimulado pela maravilhosa oficina de “artes industriais”, uma de suas matérias preferidas no currículo alternativo, altamente pragmático, do Vocacional.

Do seu trabalho de semestre, construindo sua primeira “prancha havaiana” de madeira, cópia das de seus primos mais velhos em Itanhaém, trazidas de viagens aos EUA, ao choque de prazer como espectador de Endlles Summer, no Cine Graúna, na Avenida Santo Amaro, em Sampa, foi um pulo de gato.

Tornou-se o precursor do surfe na Prainha dos Pescadores, com sua primeira prancha de fibra, laminada por ele mesmo sobre um bloco da Gasplac com shape de forma, comprada com lucro obtido pela fabricação de sua primeira encomenda para um primo e parceiro nas ondas desde os primórdios até hoje, seu querido amigo e xará Kiko Gallucci.

A encomenda foi entregue com sucesso e o Kikão, como todos os amigos da época o conhecem, por ser mais velho que o Gallucci, vingou com sua hoje legendária Kiko Surfboards.

Eu tive o privilégio de ter uma Kiko Surfboards em 1975. Comprei minha primeira prancha de um certo Gabriel, morador do Pombal, conjunto de edifícios localizado entre a avenida São Gabriel e a 9 de Julho, nos Jardins, em São Paulo.

Por coincidência, também comecei a surfar em Itanhaém, justamente na Prainha, ao lado do Claudio Martins de Andrade, o Claudjones, fundador da Fluir e do Waves, seu irmão Eduardo e o indefectível Corvo, o Nelsinho Rizzo. Lembro que o Claudio também tinha uma Kiko Surfboards, swallow como a minha. E uma vez que eu estava com o Claudio no Arpoador, em 1976, vimos um cara com uma Kiko e pensamos que a prancha seria roubada.

Muitos anos mais tarde eu viria, enfim, conhecer o Kiko pessoalmente. Eu era editor-assistente da Fluir e o Claudio pediu para que eu preparasse uma campanha publicitária de rádio para a revista. Fui ao encontro do Kiko numa agência super descolada no Morumbi e nascia ali uma grande amizade.

De cara, criamos uma peça para a edição de agosto, acho que em 1987, e que foi ao ar pela rádio 89 FM, a Rádio Rock.

O texto era mais ou menos assim:

“Estou com medo, este mar está gigante!

Desencana, bundão, o mar está perfeito!

Fluir de agosto traz o mar do ano. E você ainda leva desgraça, um adesivo!”

Cheguei à redação, mostrei a fita e só não fui demitido na hora porque eu estava com todos os textos da tal Fluir de agosto já em linha de montagem. O editor-chefe, Alexandre Andreatta, ficou putaço, achou o anúncio uma merda e ficou vários dias sem falar direito comigo.

O fato é que aquela Fluir de agosto vendeu muito e nunca mais o editor tocou no assunto da publicidade que dava um adesivo da revista.

Anos mais tarde, já no comando do Waves, o Claudio me chama na sala e me apresenta um audio. Era um jingle que o publicitário Kiko havia preparado sobre o nosso Ueivis, como diz o Fabinho Gouveia.

Bem, antes, o Kiko já tinha formado sua banda Lord K e tinha se tornado celebridade nacional ao cantar pelado no programa da Hebe Camargo, um escândalo na época. O show peladão foi repetido depois no China Club, em Nova York, confiram no YouTube.

Atualmente, com 70 anos, Kiko é um jovem senhor envolvido com um trabalho social bastante relevante no Rio de Janeiro. Trata-se do Projeto de Núcleo de Interesse Social Educacional, Cultural e Turístico Nectur, Coopertaeis, que tem empolgado a ponto de deixar o shape em segundo plano.

Shaper, músico, publicitário, arquiteto, cartunista, Kiko joga nas 11, bate escanteio e corre na área para cabecear, sempre com talento, alegria e uma vibe de outro mundo. Nesta entrevista exclusiva ao canal Anarquilha, ele fala um pouco disso tudo.

Como surgiu a história de shapear?

Eu desenho desde 6 anos de idade, estimulado pelo meu pai que era muito bom nisso e ficava comigo no colo, me dando altos toques de mestre, enquanto traçava aquele mundo mágico com lápis no papel, para meu êxtase de aprendiz.

Apareceram as hot-dogs na Surfer Magazine, às quais logo tive acesso pelo meu primo Kiko, assim que entreguei sua primeira encomenda e parti na mesma hora, para a aventura de tentar fazer o que via nas fotos.

Como era o mercado em sua época?

Eram os primos e amigos próximos de Itanhaém, que me adotaram como fazedor de pranchas e uma loja de produtos para remendo de carros de fibra na Santo Amaro, a Reforplas.

Quem eram os grandes shapers e quais foram os caras que te influenciaram?

Logo entrei na FAU – Arquitetura da USP, que tinha uma oficina para maquetaria, ainda mais espetacular do que a do colégio Vocacional, era tudo que eu queria e me ajudou muito em mais algumas encomendas e com uma quilha linda de acrílico feita nela, fui com uma prancha mal laminada, mas impressionante pela beleza do detalhe em acrílico transpa muito bem shapeada e polida, amarrada na capota de uma Sinca azul-marinho, conhecer o Pier de Ipanema bombando como point alternativo de artistas, gatinhas, hippie chiques mostrando tudo e surfistas cabeludos, amantes de vagabundagem de praia, que amavam o Led Zepellin, Pink Floyd, Yes, Milton, Tim Maia e Mutantes como eu.

Não deu outra, a quilha quebrou na primeira onda, mas a praia estava ótima e eu dando bandeira com minha pinta de hippie urbano black power, placa de SP, tanto que no final da tarde, enquanto, pedia um maionese de ovo no Bobs original, ali de Ipanema, com a gentileza paz e amor imperante na época, me surge o já intelectual descolado Ricardo Bravo, que eu nunca havia visto mais carioca e torrado de Pier na vida, sensibilizado pelo meu fracasso de prancheiro paulista da isolada Itanhaém. Ali mesmo me ensinou todos os pulos de gato de laminação que o amigo dele, Tito Rosemberg, havia aprendido trabalhando na Gordon & Smith da Califa e com a mesma gentileza hippie, lhe havia passado. Tempos de paz e amor, bicho!

E eu continuei minha viagem solitária de shaper auto didata em Sampa, já com algumas referências fotográficas de salas de shape oriundas de revistas especializadas, mas com a qualidade de laminação bem aprimorada pelos toques do Bravo e shapes inspirados nas fotos da Surfer.

Quais surfistas usavam suas pranchas?

Os pioneiros da Prainha dos Pescadores eram os meus clientes e juntos fomos aprimorando os shapes, pelo resultado nas ondas, conhecendo pranchas importadas por amigos e pelas minhas viagens para Imbituba, em que fui um dos pioneiros e onde conheci feras como Fedoca, Daniel Sabá, Bento, Mudinho. Tudo acontecia muito rápido e então aluguei um terreno com uma casinha no fundo em Monções, Brooklin, onde hoje é conhecido como “Aguas Espraiadas” e ali a evolução como shaper foi meteórica na minha primeira oficina, fora de casa.

Fui um dos patrocinadores do primeiro Campeonato Brasileiro de Surf de Ubatuba, acompanhando a equipe que formei com os melhores surfistas do meu círculo de clientes de Itanhaém, incluindo os excelentes irmãos Wolthers, de Santos, que frequentavam a Prainha, Christian e John (Os Vikings), caras fora da curva na época. Então acabei conhecendo o Tito e a Lorraine, morando numa Kombi na Praia Grande e eu, que já era o Kiko da Kika, voltando com ela de uma trip hippie como marinheiro gaiato pela Europa, hitch hiking e vendendo artesanato pelas ruas de Berlin, Roma e Paris, demos match imediato.

Lá atrás você já era um visionário, com shapes incomuns, de onde saía tanta inspiração?

Tito Rosemberg nos convidou para passar um tempo com ele e a Lorraine na sua oficina no Recreio, fim do mundo na época, me passando todos os segredos que sabia e o muito aprendido, trabalhando em grandes oficinas renomadas com G&S na Califórnia.

Foi meu grande mestre e voltei desta experiência revolucionado como shaper and glasser e como arquiteto em progresso da FAU, desenhista e fundador da revista de quadrinhos Balão, amigo de grandes jovens cartunistas, todos amantes da contracultura californiana, Zap Comics, Robert Crumb, Rick Griffin e por aí afora. Não poderia ter dado um shaper convencional, a inventividade sempre foi meu forte.

Como vê o mercado na atualidade?

Como um arquiteto sênior e shaper legendário, agradecendo todos os dias o advento dos PCs e dos melhores programas de modelagem em 3D que domino com fluência e faz dos meus 70 anos, uma alegria sem fim de viver em plena criatividade, privilegiado pelo conforto de ter me tornado um modelador digital que me foi conferido pelo 3DMax e o Shape 3D, que são minhas ferramentas de arquiteto e shaper, respectivamente.

Não faço mais serviço bruto, modelo o que quero com muita facilidade na tela dos meus computadores e ponho as máquinas para fazer o serviço pesado nos blanks e nas obras.

Por opção, moro a 150 metros das ondas do Canto do Recreio/Macumba, no final da Rua das Pranchas, em frente ao Beco do Base, e meu super amigo e parceiro, shaper genial de plaina elétrica de queixo mole, como sempre usei, enquanto não me pesava, e hoje tenho o privilégio de tê-lo como hand finisher dos meus shapes e glasser das minhas atuais hibridas Lord’s Classic Kiko Surfboards, Pure Shape!

Qual a maior dificuldade para viver de shape no Brasil?

A usinagem computadorizada, transformou em designers os shapers com domínio de computação gráfica em 3D, como eu que sempre combinei arquitetura com pranchas de surfe.

Quem não correu atrás, ficou prejudicado pelo avanço tecnológico inevitável.

Mas, amantes da contra-cultura de espírito anarquista e libertário, como eu, honrado por estar sendo entrevistado pela coluna Anarquilha, sempre estarão mais interessados na liberdade de expressão e avanço da humanidade do que em questões de mercado. O mercado é a expressão do sistema de domínio e não dos reais avanços e mais nobres valores da divina raça humana em seu avanço em humanidade!

E como surgiu o lance de virar radicalmente e se tornar músico profissional?

Sempre atuei multidisciplinarmente. Por exemplo, fiz vários jingles famosos para o surf world, Fluir, Star Point, Skating e, por o último Waves, quando fui produtor musical, arranjador, compositor da música e letra, canto, toco tudo, edito o vídeo e adoraria que mais outras milhares de pessoas o assistissem, 16 anos depois de ter sido publicado pela primeira vez no maior site se surf do Brasil. É só digitar Waves, Lord K no browser do Google, que quem estiver curioso pode conferir no YouTube.

Mas, quando apareci pelado na Hebe Camargo sendo entrevistado pelo Faustão, a bagaça explodiu na mídia e recebi o convite para turnê nacional, que não dava pra recusar. Então, saí fazendo 280 shows pelo Brasil até chegar ao Canecão, quando deu poliça. E a HBO me contratou para gravar um episódio do Real Sex 8, quando passei dois anos fazendo shows na Broadway em Nova York, nas melhores casas underground.

Gravei com uma banda de músicos nova yorquinos do primeiro time, meu CD – Lord K, back from USA, e a Rebel TV gravou um show meu no China Club, que quem quiser conferir é só dar um Google em Rebel TV Lord K, que está publicado no site deles no YouTube.

A banda do Lord K ainda está na ativa com sua levada suingada?

Boa pergunta e oportunidade para esclarecer que Lord K é meu nome artístico como cantor performático e compositor.

Faço shows tanto com bandas formadas pra eles, como só com minha amada DJ Dani e percussionistas convidados em versão Live P.A., ou acústicos como meu show Mini Orgasmo Confidencial, dirigido pelo cartunista Angeli, que foi um acústico de trio pós-moderno, com o qual rodamos o Brasil e NY.

Hoje estou trabalhando como arquiteto criador e produtor artístico do Projeto de Núcleo de Interesse Social Educacional, Cultural e Turístico NECTUR, com seu primeiro núcleo no Vidigal, para PPP, tendo como objetivos a parceria PÚBLICA com a Prefeitura do Rio e a parceria privada um Fundo Privado Misto Socialmente Orientado, onde tenho trabalhado com todas as linguagens audiovisuais que domino atualmente, deixando para retornar com A Noite da Levada, como case exclusivo e no máximo quinzenal, quando ela será residente nos espaços de show que projetei para o Nectur Vidigal, depois de prontos.

Estou com 70 anos e sempre canto uma música que eu adoro do Ed Motta: “Eu não nasci pra trabalho, Eu não nasci pra sofrer”.

Mas estou plenamente ativo em todas as minhas artes, com total liberdade de expressão!
Sem isso, não vale a pena viver. Estou neste lindo planeta à passeio.

Qual tipo de som você realmente aprecia?
Todo aquele com uma levada que resgate a pulsação primal de nossa ancestralidade rítmica ou que remeta às deusas levadas da insubordinação feminina pela imposição da sua liberdade e beleza naturais e do seu amor maternal infinito, que tão bem cuidou da nossa multiplicação, povoando a grande tribo da irmandade inter-racial planetária.

Voltando ao surfe, como você vê essa geração de surfistas campeões e de que maneira você entende que essa tempestade impacta no mercado?

Acho um puta avanço no esporte do ponto de vista técnico e olímpico, mas não tem nada a ver com minhas raízes de hippie naturalista, ambientalista paz e amor, desbravador de praias desertas e corações solitários.

Mas como são nossos espetaculares campeões, os que precisam de tratamento psiquiátrico para suportarem a pressão do mercado e o super stress de surfistas objeto em que se transformam para cumprir as expectativas dos patrocinadores, quando estou folgado e o mar da etapa está show, deito na frente da minha TV Android, e pelo YouTube assisto e torço para os meus heróis da Brazilian Storm, comendo pipoca e me entretendo a valer.

Como as pessoas devem agir para encomendar uma Kiko Surfboards de sonho??
A má notícia é que eu não aceito mais encomendas, só de amigos muito próximos, que permanecem em contato comigo regularmente pelo zap, bem poucos, como Vossa Senhoria, Dom Alceu Toledo Junior. E vez ou outra produzo estoques e lanço o inventário no blogspot Lords’s Classic Surfboards, para venda pelo blog. O próximo estoque disponível, informarei em primeira mão para o Anarquilha.

Você tem surfado muito aí na Macumba?

Saravá!

O que diria para a nova geração que tem vontade de fabricar pranchas e viver este sonho de trabalhar no segmento do surfe?

Se sentir amor pelo que fazem, bem como pelos semelhantes, sempre existirão boas pessoas dispostas a compartilhar conhecimentos graciosamente, como tantos que me ajudaram, em especial pela internet atualmente.

Mas um bom domínio de computação gráfica e modelagem digital em 3D são ferramentas indispensáveis para se chegar ao topo do profissionalismo contemporâneo, em termos de modelagem de surfboard shapes, arquitetura, escultura e artes afins.

Portanto, para quem se apaixona pelo ofício, sempre vale a pena trabalhar forte, dando seu melhor. Ser feliz e amar a felicidade do próximo é o que interessa. Sempre dá certo por este caminho!

Recomendo: Coopertaeis. Este é o meu shape de vida atual. Let´s surf together in this project. A nobreza agrade, Aloha!

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.