André Rezende De Biase nasceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de novembro de 1956, mas foi registrado em Vitória (ES), onde viveu parte da sua infância. A família toda era do Espírito Santo, destino escolhido pelos avós que emigraram da Itália e compraram uma fazenda de café nas terras férteis capixabas.
O pai, economista, e a mãe, arquiteta, se conheceram em Vitória e construíram uma grande família. André De Biase, um dos sete filhos do casal, foi criado com os irmãos a beira-mar na praia do Canto e passou a infância subindo em árvores frutíferas, catando caranguejos e jogando bola na praia.
Aos nove anos, mudou-se para a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro (RJ). André estudou no Colégio Juca & Chico na rua Fonte da Saudade e depois no Padre Antônio Vieira, no Humaitá, ao lado de colegas que se tornariam famosos e bem sucedidos como Sérgio Mallandro, Luiz Antônio de Almeida Braga e Alberto Pecegueiro. Na escola suas preferências sempre foram por História, Geografia e Linguística, e se destacava nas atividades esportivas e artísticas. Nessa época, meados dos anos 1960, foi ao cinema com o pai e assistiu o clássico Lawrence da Arábia, com Peter O’Toole, e ficou completamente extasiado. Nunca mais parou de ver cinema.
Em 1968, De Biase conheceu o Arpoador e ficou admirado com os surfistas descendo as ondas atrás do pontão. Ele era vizinho de Lipe Dylong e começou a pegar onda com ele no início de 1969. Eles formaram na turma dos surfistas mais jovens do Arpoador, junto com Broca, Foca, Zeca Mendigo, Ronaldo Ludovico, Renan Pitanguy, entre outros. Conhecidos como Metralhinhas, os moleques sofriam com a zoação, dentro e fora d’água, de seus ídolos, os surfistas Domeneck, Marinho, Rafael Gonzalez, Helinho, Betão, Bocão, Paulo Proença, Otávio Pacheco e tantos outros.
No final de 1970, André e Lipe abriram uma oficina na garagem da casa dos Biase na
Lagoa. O local tinha apenas um cavalete para shapear e laminar e era conhecida como oficina da Dona Fininha, mãe de André. Ele começava a consolidar sua vida de surfista e Lipe seguiria sua trajetória de fabricante de sucesso ao criar a Energia Surfboards, em Ipanema.
A década de 1970 avançava e a cultura de praia e do surfe se consolidava no Rio de Janeiro. André viajava atrás de ondas grandes e perfeitas pelo Brasil, descendo pelo litoral até o Rio Grande do Sul, e na sua histórica surftrip internacional, pela América Latina, passando pelo Peru, El Salvador e México, entre 1974 e 1976, ao lado do irmão Fabio Mobral e Zeca Proença, irmão de Paulo Proença.
Um certo dia de 1977, o diretor de cinema, Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, apareceu na praia, procurando por André De Biase. Lacerda tinha visto a foto do rapaz e procurava um
protagonista para o filme sobre um jovem da Zona Norte carioca vivendo grandes aventuras em Ipanema, na Zona Sul da cidade. André foi aprovado, acertou como cachê uma viagem para o Havaí e entrou para o mundo do cinema com o filme Nos Embalos de Ipanema, de 1978, seu primeiro sucesso.
André De Biase se apaixonou e se envolveu com tudo o que está por trás da Sétima Arte,
produção, direção, roteiro e atuação. Nessa época não existiam filmes direcionados para o
público jovem e assim, inspirado na sua própria vida, no seu universo, ele e o irmão Tunico De Biase, também surfista e fotógrafo da Revista Brasil Surf, resolveram escrever um roteiro.
Nascia, em 1979, a ideia do filme Menino do Rio. O nome surgiu com a música do Caetano
Veloso, inspirada no jovem surfista carioca, Peti. André De Biase conversou com Caetano que autorizou o seu uso. Lançado em janeiro de 1982, o filme dirigido e produzido por Antônio Calmon e Bruno Barreto foi um sucesso de público com mais de três milhões de expectadores fazendo filas e lotando salas de cinema no Brasil.
O sucesso levou o surfista para as telenovelas da TV Globo, mas o que ele queria ia além dessa rotina de gravação e textos diários decorados. Entre as diversas viagens para o Havaí, Austrália e Bali que fez na década de 1980, ele e Kadu Moliterno apresentaram ao Boni a ideia de fazer um seriado com uma dupla do barulho no melhor estilo Indiana Jones, muito surfe, asa delta e rock’n roll.
O jornalista e produtor Nelson Motta sacou logo: “É uma grande armação do Kadu e do André. O espirituoso Daniel Filho completou: “Sim, uma grande Armação Ilimitada!”. O resto são as histórias. Foram quatro temporadas e 40 episódios do quarteto Juba, Lula, Zelda e Bacana, entre 1985 e 1988. O culto ao surfe, aos surfistas, suas gírias e estilo foram apresentados à grande massa da população brasileira. O surfe ganhava uma dimensão nacional.
De tantas aventuras e viagens pelo mundo, o destino lhe reservou um grande negócio. André De Biase abriu sua agência de viagens e, hoje, aos 68 anos, inspira pessoas a conhecerem e viverem seus sonhos e experiências nos melhores lugares do planeta de forma segura, feliz e ilimitada.
Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos.
Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi – o Pardhal.










