Com 19 anos, Cauê Costa já acumula bagagem internacional, resultados sólidos em solo nacional e uma rotina intensa de treinos entre o Ceará e o Rio de Janeiro.
Após um início de ano marcado por competições no Brasil, Peru e Filipinas, ele segue focado em conquistar sua vaga no Dream Tour e em levar seu surfe a um novo patamar técnico.
Nesta entrevista exclusiva concedida na Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes (RJ), ele fala sobre campeonatos recentes, sua rotina de treinos, os desafios da transição para o surfe profissional e os sonhos que movem sua trajetória.
Como foi esse início de ano pra você em termos de competição?
O ano começou bem agitado, com várias competições. Logo no início fui para as Filipinas disputar o Mundial Pro Junior.
Surfei bem nas baterias, mas acabei não avançando e fiquei em 17º. Depois voltei ao Brasil, fui para o Ceará treinar na temporada boa de ondas, e competi na primeira etapa da Taça Brasil, divisão de acesso ao Dream Tour.
Consegui outro 17º, o que me mantém na briga por uma vaga. Também teve o Pro Junior no Peru, no qual fiquei em terceiro, meu melhor resultado como Pro Junior, até agora.
E depois disso?
Depois vieram os eventos na Joaquina, Saquarema e Maresias. Consegui um 9º lugar na Praia Mole, que ainda valia pelo ranking do ano passado e me colocou entre os top 30 do Sul-Americano.
Em Saquarema me lesionei nas costas, fiquei uma semana fora da água, mas ainda fui pra bateria. Já em Maresias peguei altas ondas no primeiro dia — talvez minha melhor bateria do ano — mas no round seguinte o mar baixou e não fui tão bem. Agora é foco total, o ano ainda tá só começando.
Você falou do Dream Tour. É o teu principal objetivo agora?
Sim, pelo circuito brasileiro meu foco total é o Dream Tour. É o campeonato mais importante no Brasil, com um nível internacional. Tem repescagem, formato semelhante aos eventos do CT. Quero muito entrar e tô bem focado nisso.
Qual é a próxima etapa da Taça Brasil?
Vai ser na Bahia. Talvez Estela Mares ou Itacaré. São dois picos onde já competi, já surfei, e gosto muito. Água quente, boas lembranças.
Você é do Ceará, mas tá no Rio. Como tá essa divisão de base e treino?
Desde 2019 passo a maior parte do ano no Rio, treinando com o Arqui (Arquimedes Negão, pai de Cauã Bianca e Laís Costa). Aqui, a gente tá na água todo dia, de manhã e de tarde. No começo do ano, costumo ir pro Ceará, fico com a família e aproveito a temporada boa de ondas de lá.
Como é a sua rotina de treinamento?
Treino com o Arquimedes e com o Cauã (Costa), que puxa muito o nível. As meninas, Bianca e Laís Costa, também estão quebrando. Tô focado em melhorar meus aéreos. Tenho um surfe de borda bom, desde moleque, e agora quero evoluir na linha aérea.
Qual é a manobra que você mais curte treinar?
O reverse com a mão na borda. Gosto muito do estilo do Filipe Toledo nessa manobra. Não precisa sair muito da linha, mas ele joga a prancha pra areia de um jeito muito estiloso. Tô tentando colocar essa no pé direto.
E no Rio, onde você mais treina?
Macumba, com certeza. É uma onda difícil, gorda, com muito balanço. Não é a mais divertida, mas é essencial treinar nela. Quem pega a manha ali, surfa em qualquer lugar.
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Como está a questão dos seus equipamentos? Quem é seu shaper?
Trabalho com o Alexandre Akiwas há dois anos. Conheci por indicação do Cauã, e desde então tem sido um ótimo trabalho.
Fui vice-campeão sul-americano Pro Junior com as pranchas dele. Uso muito o modelo 1000V, com medidas por volta de 5’8″, 18,5″ de largura e volume entre 26 e 27 litros. Prefiro PU, especialmente em ondas menores.
Você teve uma experiência no Havaí. Como foi essa trip?
Fui há dois anos e penso nisso todos os dias até hoje. Fui com a galera da Pena, com meu pai, o Cauã e o Lima Júnior. Foi incrível.
As ondas são muito diferentes, principalmente por causa do fundo de coral. Chega a ser assustador, mas em uma semana já estávamos mais confortáveis. Surfei bastante em Backdoor e Rock Point, que foi onde mais treinei. O crowd ali era mais tranquilo, então deu pra pegar bastante onda boa.
Qual foi a maior dificuldade nessa transição para o profissionalismo?
A concentração. No amador a vibe é mais leve, você vai curtir, rever os amigos. No profissional é diferente, é trabalho.
Precisa estar 100% focado. Um campeonato pode mudar tudo, então é importante levar a sério, se dedicar e manter o foco. E ainda tem o fator natureza, que nem sempre coopera, então o preparo mental é essencial.
Qual é o seu maior sonho como surfista?
Viver do surfe. Tenho como meta entrar no Challenger, depois no CT, e fazer um bom trabalho lá.
Mas acima de tudo quero viver do surfe, estar na praia todo dia, como faço desde pequeno. Meus pais sempre me incentivaram. Mesmo que eu pare de competir um dia, vou continuar surfando sempre.
E quem são as pessoas que mais te inspiram?
Minha família: meu pai, minha mãe. O Arquimedes, que largou tudo pra estar aqui com a gente. Ele é surfe 100%. E o Cauã, que é como um irmão mais velho, sempre me dando toques e me ajudando.




















