Longboard Tour 2025

A volta de Jejé

Waves troca ideia com longboarder Jefson Silva, classificado para elite do pranchão na temporada 2025. WLT começa entre 26 e 30 de julho em Huntington Beach, Califórnia (EUA).

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Com o título Sul-Americano de Longboard de 2025, Jefson Silva conquistou a vaga para o circuito mundial da modalidade, onde já esteve participando durante 11 anos, e agora voltará a enfrentar os melhores atletas do planeta. Ainda este ano, Jejé participará de quatro eventos em diferentes partes do mundo, em busca do tão sonhado título mundial.

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O circuito começa em julho, entre os dias 26 e 30, em Huntington Beach, Califórnia (EUA). As etapas seguintes serão em Bells Beach, Austrália, de 17 a 21 de setembro; Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, de 24 a 26 de outubro; e o circuito termina em El Salvador, de 5 a 9 de novembro.

Jefson agora encara os melhores do mundo no pranchão e, em cada etapa, arca com custos de aproximadamente US$ 3,5 mil (R$ 18 mil), que incluem passagem aérea, inscrição, hospedagem e alimentação. Para competir em todas as etapas, que ocorrem em diferentes países, ele busca amigos, fãs e amantes do esporte que compartilhem desse sonho e ajudem a torná-lo possível.

O Waves bateu um papo com Jejé, que revelou sua trajetória no longboard, ídolos e referências, começo na modalidade, volta ao mundial e mais.

Jefson, você é um tetracampeão brasileiro de longboard, campeão sul-americano, pan-americano, e chegou a ser 5º do mundo. Olhando para trás, qual desses títulos ou feitos você considera o mais marcante em sua carreira e por quê?

Sou quatro vezes campeão brasileiro. Conquistei o título sul-americano este ano, em 2025, e também a vaga para o circuito mundial este ano de 2025. Acredito que cada título meu tem uma história por trás, porque em todo campeonato a gente dá o máximo, e eu procuro dar o meu máximo em cada bateria. Então, acredito que todos esses títulos têm um significado muito grande para mim.

Na minha idade hoje, com 38 anos (farei 39), voltar a figurar entre os tops do circuito mundial foi uma conquista enorme. Por isso, este título sul-americano deste ano tem uma marca muito grande para mim. Acredito que, até o momento, ele tem sido o mais importante, até por conta da idade, como mencionei. Voltar a figurar entre os melhores do tour é uma conquista muito grande e gratificante, sabe? Poder ver meu surfe no patamar em que está me deixa muito contente.

Você cresceu surfando no Canto Mágico, na Praia da Baleia, um pico especial do litoral paulista. De que forma esse cenário influenciou seu estilo? E como foi levar essa base para outros tipos de ondas, nas quais você também se destaca?

Comecei a surfar no Canto Mágico. A primeira vez que fiquei de pé em uma prancha foi lá. Depois, tive um incentivo muito grande do Marcelo Aguiar, que comandava a escolinha do Canto Mágico. Ele foi o responsável por criar inúmeros atletas ali, formando nomes como Danylo Grillo, Paraíba, Robson Santos, Aristide Tavares e Thiago Camarão, e colocando-os no cenário do surfe competitivo. Há pessoas como ele até hoje, então sou muito grato ao Marcelo Aguiar por me dar os primeiros passos no começo.

Sou muito grato também ao Wagner Pupo, que apoiava nossa escolinha e, junto com Marcelo, fazia questão de ir lá dar treino para a gente todas as terças e quintas. Portanto, o Canto Mágico é muito especial para mim. É realmente a minha casa, o lugar onde me encontro, onde recarrego todas as minhas energias. Sempre que estou viajando e volto, mesmo que não tenha onda, vou lá sentar nas pedras, olhar, admirar um pouco e recarregar as energias. Estou sempre por aqui, pois é um lugar muito especial para mim, que me ensinou a surfar ondas medianas, ondas grandes, ondas um pouco mais cavadas e ondas rápidas. Devo muito a este lugar; com certeza, ele ficará marcado na minha vida para sempre.

Como longboarder profissional, você precisa transitar entre o estilo clássico e o progressivo. Como busca esse equilíbrio no seu surfe e o que te inspira em cada uma dessas vertentes?

Hoje em dia, como longboard profissional, o estilo está mudado totalmente para o clássico, só que eu venho da escola antiga, que a gente diz, a velha guarda. Eu sou de lá, da escola do Picuruta Salazar, Amaro Matos, Marcelo Freitas, Phil Rajzman, Danilo Rodrigo, Molinha… esses caras eram monstrso absurdos na rabeta. Desde então, desde pequeno, já meio que não fazia frente com eles, mas chegava junto com eles em algumas baterias.

E eu fui crescendo e lapidando meu surfe clássico, ainda na época do progressivo. Quando rolou a transição do progressivo para o clássico, me senti um pouco mais em casa, não tive tanta dificuldade de me adaptar com o estilo clássico. Transitei rápido e consegui adaptação muito rápida. Ao longo do tempo fui tentando melhorar o estilo, melhorar um monte de coisas, que dentro do estilo clássico, a gente sabe que tem que ter uma boa posição para poder obter bons scores, umas boas notas dentro do circuito mundial.

É o que eu venho buscando até hoje, melhorar o estilo, melhorar algumas curvas, algumas posições sobre a prancha. E é isso que a gente vem sempre buscando em evolução no surfe. Por mais profissional que a gente seja, estamos sempre em evolução, sempre buscando acertos e é o que nos faz correr atrás de tudo isso. Buscar melhoria para nós mesmos.

Tive essa vantagem, mas eu venho desde a época do surfe progressivo e peguei toda essa transição do surf power para o surfe clássico e venho até hoje tentando manter o meu surfe e identizá-lo na melhor forma possível.

Você se classificou novamente para a temporada o WLT. Qual a sensação de estar de volta ao Tour Mundial e o que o motivou a persistir em seu objetivo de retornar?

Como mencionei antes, mesmo com certa idade, consegui me classificar novamente para o circuito mundial. A última vez que me classifiquei para o Tour Mundial foi em 2010, e me mantive nele até 2022. Foram praticamente 12 anos no circuito mundial, quase 12 anos, porque houve um corte no meio do ano e acabei ficando de fora. Desde 2022 estou ausente, então, voltar agora ao circuito mundial me deixa muito gratificado com meu trabalho, esforço e dedicação ao esporte.

Estou muito contente e feliz por poder vestir a lycra do Circuito Mundial novamente, um lugar onde estive por muitos anos, mais de uma década. Me mantive por bons anos, já fui o quinto melhor do mundo e fiz final em Nova York, sendo vice-campeão em 2019.

Voltar agora com toda essa experiência que adquiri no circuito me faz acreditar que terei uma posição melhor. Vamos ver, há caras novas também, e alguns amigos meus ainda estão no circuito. Taylor Jensen é um grande amigo meu, e Tony Silvagni está se classificando novamente. Espero reencontrar esses caras e competir de igual para igual, que é o meu objetivo.

Estou entre os melhores do mundo e agora preciso representar não só meu lugar, a Baleia, minha cidade, São Sebastião, mas também meu país, Brasil. No momento, sou o único sul-americano classificado para o circuito mundial masculino, então tenho esse dever de representar minha bandeira e meu país da melhor forma possível. Isso me impulsiona a buscar forças onde nem sei que as tenho, para conseguir um bom resultado e sair de lá classificado para o próximo ano, pois esse é o meu objetivo.

Qual a diferença de preparação e expectativas para o circuito mundial de 2025, considerando sua experiência anterior e a evolução do longboard de competição?

Minha busca por títulos e por competição vem de muito tempo. Acredito que há uns 20 anos descobri que realmente gostava dessa vida de competição, de me pôr à prova. Desde então, nunca deixei de competir. Sempre que havia uma competição por perto, uma competição à qual eu poderia ir, eu corria atrás.

Sempre falei com muitas pessoas que nunca tive apoio no começo. Hoje em dia, graças a Deus, tenho o suporte de uma marca que me ajuda a transitar para poder competir. Mas, antes, tive o suporte de muitos amigos ali da Baleia, da galera do Baleias Broad. Isso me motivou muito, me deu muita gana pela competição, pela raia.

Então, quando entro na raia, não digo que fecho os olhos para o meu oponente, mas fico aceso o tempo inteiro. Se eu tiver um segundo de chance, vou correr atrás daquele um segundo de chance. No ano passado, consegui virar muitas baterias na regressiva, e isso meio que provou que sou um cara que não desiste tão fácil.

Acredito que a competição está dentro de mim. Desde quando coloquei a lycra pela primeira vez, em 2003 ou 2004, fiquei possuído por esse esporte, pela forma de lidar com a competição e de correr atrás da vida competitiva. Amo muito o esporte e me dedico muito a ele, pela vida competitiva. Quero estar competindo até quando eu puder. Enquanto eu puder vestir a lycra e puder estar ali guerreando por uma bateria, eu estarei. Porque essa é a minha vida, vou viver e vivo para isso.

Como você equilibra a busca por títulos e o lado competitivo com essa missão de inspirar e ajudar a galera da próxima geração?

Minha busca por títulos e meu lado competitivo estão dentro de mim, acredito. E como falei antes, desde cedo sempre gostei muito de competir e me pôr à prova. Espero que essa galera da nova geração olhe para esse lado competitivo e realmente se inspire a buscar melhorar cada vez mais o surfe, surfar ondas diferentes.

Assim como há a galera do Nordeste, de Jericoacoara, um lugar com novos talentos, a galera do Iguape também. Há muitos nomes novos aí que, acredito, vão suprir e nos amparar muito bem pelos próximos anos, porque o Brasil é um celeiro de longboard muito forte.

Então, o que tenho para dizer para a nova geração é: nunca desista. Nunca desista de seus sonhos, por mais difícil que seja. Aquele campeonato que você quer ir e às vezes não dá certo, aquela ajuda que você fica contando e às vezes não vem, mas nunca desista. Sempre corra atrás, porque uma hora você vai alcançar aquele objetivo que sempre quis lá no começo. É isso, nunca desistir dos sonhos, porque uma hora o sonho chega para todos nós.

Em fevereiro deste ano, você foi vice-campeão no Uruguay Natural Longboard Classic. Como foi essa etapa e qual a importância de um bom resultado em eventos como este para a sua preparação e confiança antes do WLT principal?

Em fevereiro deste ano, no Uruguai, fiquei em segundo lugar, fui vice-campeão. No ano passado, fui lá e fui o campeão, e este ano, o vice-campeão. A importância de começar o ano na busca dos pontos é muito significativa para mim.

Quando você começa o ano com um bom resultado, isso lá na frente vai te fazer melhor e vai te deixar um pouco mais tranquilo, não confortável, porque o final vai contar muito. Então, o começo e o final são os que dividem os pontos e os que separam, pois geralmente a diferença entre campeão e vice é sempre de poucos pontos.

Tive a sorte de começar com um bom resultado. Depois, em Saquarema, fiz um quinto lugar e tive a sorte de me consagrar campeão da etapa, o que me deu o título de campeão sul-americano e me fez, automaticamente, voltar para o circuito mundial. Estou muito contente com essa conquista e com a importância de eventos como esse.

A importância é muito grande, porque os surfistas da região, por exemplo, no Uruguai, têm bons surfistas, como o Julio e o Nátil, que já fizeram parte do circuito mundial e sonham em voltar novamente. A importância de eventos como esse no país-sede é relevante por conta dos pontos, pois são eventos caros. E, tendo eventos como esse no seu país, você não gasta tanto, então é muito bom. Assim como o Peru fez há muitos anos com o pico, que foi bicampeão mundial. Enfim, a importância desses campeonatos é significativa para nós, atletas que queremos figurar no circuito mundial.

Sendo um dos longboarders mais carismáticos do Brasil, como você enxerga a evolução do longboard como esporte no país e o que, em sua opinião, ainda precisa ser feito para que a modalidade ganhe mais visibilidade e apoio?

Eu enxergo que o Longboard está em evolução crescente no Brasil. Eu venho da velha guarda, de vinte e poucos anos atrás, uma época em que grandes nomes do Longboard brasileiro, que acredito que a nova geração nem sabe quem são, estavam começando. Na minha opinião, o Longboard está em uma evolução e crescimento muito grandes.

Temos um celeiro enorme de Longboard no país, com uma nova geração vindo muito forte, tanto na categoria masculina quanto na feminina. Temos grandes nomes como Daniel Batista, Raoni Caleb, Hideki Duarte, Robson Silva. E na feminina, não posso deixar de citar Jamile Araújo, que é muito, muito boa. Temos também a Katelyn Oliveira, de São Paulo, e a Maya, de Ubatuba. Tem também a Luana Soares, uma menina que fez um trabalho comigo no começo e hoje já figura entre as surfistas do circuito mundial.

Não podemos deixar de citar nomes como esses, que são muito importantes para a nossa evolução e para o crescimento da modalidade. Acredito que a modalidade só tem a ganhar nome, só tem a ganhar força. Nós, como profissionais, devemos apoiar os pequenos que estão vindo. Eu procuro sempre apoiar os pequenos. Também tem o Arthur, o Arturzinho, o Alídio de Ubatuba, de Itamambuca, molequinho da nova geração que vai vir muito forte.

Eu procuro sempre estar apoiando esses garotos porque, no começo, quando eu era pequeno, quando eu comecei no circuito brasileiro e nos circuitos estaduais, sempre tive o suporte de vários caras. Às vezes eu tirava dúvidas com eles e eles sempre tiveram muito carinho comigo, sempre me davam dicas, sabe? O Jane Viúdes, o Picuruta Salazar, o antigo e falecido Olimpinho, o Bajel, o Eduardo Bajé, um cara que é muito meu amigo, que me ajudou muito, sabe? O Phil Rajzman, o Carlos Bahia, todos esses caras.

É muito importante que nós, longboarders que estamos em ascensão hoje em dia, possamos ajudar esses garotos, essa nova geração, ou apadrinhar um deles, pelo menos para ele se sentir, pelo menos, ter um suporte da gente. É muito importante. Mas eu acredito que a modalidade só tem a crescer. E o meu sonho é poder ver o longboard nas Olimpíadas um dia, sabe? Vai ser muito gratificante para mim ver um brasileiro lá nos representando, sabe? Com a bandeira nos apoiando e nos representando, vai ser uma grande conquista.

Seu objetivo é o título mundial. E qual o seu plano de ação e quais os principais desafios que você prevê para a temporada 2025 do World Longboard Tour em busca desse sonho?

Hoje, meu objetivo é claro: o título mundial. Tenho certeza disso, e desde que me classifiquei, venho pensando nisso dia após dia. Meu plano de ação é treinar e surfar, me manter bem, comer bem e dormir bem.

Se houver competição antes do circuito mundial, vou competir e treinar o máximo possível para, quando chegar e colocar a prancha no circuito mundial, não me desapontar e não desapontar as milhares e milhões de pessoas que represento.

Acredito que, hoje em dia, o maior desafio ainda são os apoios e patrocínios. Tenho o apoio da Hang Loose, um patrocínio da Hang Loose, mas mesmo assim, isso ainda dificulta um pouco, porque nossas viagens são em dólar e são muito caras. Terei viagem para os Estados Unidos, depois para a Austrália, e para a piscina em Dubai, então são custos bem altos.

No momento, o desafio é realmente a arrecadação de recursos para essas viagens, que são muito caras. Fora isso, procuro buscar outros apoios. Também trabalho com a LootSurf, e como te falei, tenho o suporte da Hang Loose, mas mesmo assim, ainda é um pouco difícil. Mas continuo focado e buscando forças até onde não tenho, porque meu foco este ano é o circuito mundial, voltar lá com fé em Deus para poder fazer o meu melhor, representar meus patrocinadores que estão comigo e meus apoiadores, e tudo mais.

Para finalizar, qual mensagem você gostaria de deixar para os jovens surfistas que se inspiram em sua trajetória e almejam seguir os passos de um campeão como você?

A mensagem que eu gostaria de deixar para os próximos surfistas da nova geração e para aqueles que se inspiram, não só em mim, mas em outros também, é: nunca desista do seu sonho. Seu sonho é muito grande para você desistir no primeiro problema que tiver. Então, continue sempre pendurado no bico, nunca desista dos seus sonhos, porque sempre haverá pessoas boas ao longo do caminho para poder te ajudar, sempre nas melhores situações. Um aloha e um beijo no coração de todos os longboarders e toda a galera da comunidade do surf brasileiro.