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Avalanche, a laje localizada a cerca de 3 quilômetros da costa de Vila Velha, no Espírito Santo, voltou a mostrar sua força nos últimos dias ao quebrar com a forte ondulação de Leste/Sudeste que varreu o litoral brasileiro no último final de semana. As ondas do slab atingiram até 4 metros, atraindo um time de peso do surfe de ondas grandes para uma sessão de tow-in.
O pico capixaba, conhecido por sua onda curta explodindo sob um fundo muito raso, exigiu preparo e coragem dos atletas. Entre os nomes que encararam os tubos da Avalanche estavam Will Santana, Caio Vaz, Pedro Calado, Lucas Medeiros, e a jovem promessa Anininha Dagostini, de apenas 13 anos.
Will Santana revela que já estava de olho nas previsões para o pico. “Desde a semana passada eu já estava de olho nesse swell. É um swell bem raro no Brasil, de Leste, com esse tamanho e essa energia. Meio Leste, meio Sudeste. Com essa direção, alguns picos muito raros funcionam, então eu estava monitorando bastante: Rio de Janeiro, Laje da Besta, Ilha Mãe… e, claro, Avalanche”, explicou Will.
O big rider comentou também como foi fazer sessão em Avalanche.”Surfar Avalanche foi uma experiência incrível. Que onda perfeita, que slab alucinante. Eu já tinha surfado lá uma vez, mas o swell não estava tão encaixado quanto agora. Dessa vez, a condição veio redonda, muito bem alinhada. Confesso que ainda tenho o sonho de pegar Avalanche realmente gigante, e espero que isso aconteça em breve. Mas só de estar lá e ver a onda funcionando desse jeito já foi especial, porque é uma onda muito rara, que depende de uma combinação perfeita da natureza”, afirma.
Para encarar as bombas em Avalanche, Will Santana escolheu um modelo quadriquilha feito em parceria com seu shaper, Claudio Hennek. “Usei uma prancha feita pelo meu shaper, o Hennek, no tamanho 5’11″. Ela pesa 3,6 kg e é um modelo que costumo usar nas ondas grandes no Brasil. É uma prancha muito mágica, que ele desenvolveu junto comigo, e que tem bastante velocidade. Ela é quadriquilha e me ajuda muito a entrar naqueles tubos difíceis, que parecem impossíveis de sair. Ao mesmo tempo, entrega bastante performance”, revelou Will.
Ele completou dizendo que o modelo, mais estreito e fino, é perfeito para a agilidade exigida pelo tow-in na laje. “É um modelo um pouco mais estreito e fino, mas para o esporte do tow-in, rebocado pelo jet ski, é perfeito. Esse é o modelo Will Santana, que desenvolvemos juntos (com Hennek) — 5’11″, 17 ¼ de largura e aproximadamente 25 litros. Bem estreita, bem fina, bem mágica. Nas quilhas, uso o modelo Futures Big Wave Large, do John John. São quilhas muito boas, que deixam a prancha bem sólida na onda, mas ao mesmo tempo desgarra com facilidade quando preciso mandar as manobras”, finaliza Will.
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Outro que estava na sessão em Avalanche, Lucas Medeiros conta que surfa no local desde 2016, quando desbravou o pico com alguns bodyborders.
“É importante frisar que o projeto Avalanche é um trabalho do NXF Bodyboard junto comigo. Eu tinha um patrocínio da Real Café, que me apoiou com jet ski e estrutura, e também o audiovisual da Straya Filmes. Graças a eles, nós tivemos material de excelência para divulgar a onda dessa forma e alcançar essa magnitude. Hoje em dia, em qualquer condição ou onda que quebra ali, as pessoas já sabem que é o Avalanche.
“Eu estou lá desde 2016, em uma expedição menor e fui também em outros anos. O ápice foi entre 2019, quando tomei aquela vaca histórica (clique aqui e reveja). O Caio Vaz pegou a segunda maior onda do Brasil, e o Ian Vaz pegou a maior onda. Ganhamos prêmios. A galera do bodyboard também lá, Breno Kuster, Pão e Bernardo Nassar”, conta.
Lucas diz também que conhece bem a onda e sempre cai na laje. “Tenho na mente todas as previsões e as condições possíveis para a Avalanche, pois já surfei muito lá. Eu me arrisco a dizer que sou um dos caras de surfe que mais foi até Avalanche. Tirando a galera do bodyboard, claro. Eu sou local dessa onda, porque toda vez que quebra eu estou ali junto com a galera do bodyboard, porque eles são os locais de verdade. Eu até brinco que sou o único cara de surfe que sou do time NXF. Quando você abre o perfil deles, você vê uma imagem minha lá (risos)”.
Jovem promessa enfrenta o slab
Um dos destaques da sessão foi Aninha Dagostini, de 13 anos. Rebocada pelo pai, Benito Dagostini, a jovem encarou as condições extremas.
“Surfar a Avalanche nessas condições foi uma mistura de desafio e superação. A onda exige respeito, mas também me anima a dar o meu melhor. Fiquei muito feliz e animada para as próximas,” diz Aninha.
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Risco de surfar na Avalanche
Will também fala dos riscos do local e que a vaca pode ser bem dificil de lidar. “Avalanche é curta, mas extremamente intensa. Um tubo quadrado, raso e ao mesmo tempo assustador. A onda começa rasa e depois fica profunda. Se você cai no meio do tubo, o risco é grande de tomar um caldo sinistro. Nessa parte mais funda, forma-se quase um redemoinho que te puxa, te gira lá embaixo, e a subida demora e isso deixa qualquer um em alerta. Eu, felizmente, consegui completar todas as ondas que entrei e fiz bons tubos. Mas já vi amigos tomarem caldos pesados ali e saírem bastante assustados”, finaliza.
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