Surf de Base 2025

Primeiros finalistas definidos

Terceiro dia do Surf de Base 2025 define Aysha Ratto, Gabriely Vasque, Arthur Vilar e Guilherme Lemos nas finais Sub 18 Feminino e Masculino na Praia do Borete, em Porto de Galinhas (PE).

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O CBSurf Surf de Base 2025 viveu o dia mais movimentado na segunda-feira (5). Foram 27 baterias realizadas de 11 fases diferentes, com disputas decisivas que definiram os primeiros finalistas da categoria Sub 18, tanto no Masculino quanto no Feminino. A Praia do Borete, em Porto de Galinhas (PE), teve um dia de sol e vento moderado, com o mar apresentando um pouco menos de força do que no dia anterior. Pela manhã, o vento era mais fraco e o mar estava mais liso; à tarde, ficou mais balançado, mas as ondas seguiram oferecendo boas condições para manobras e bom desempenho dos atletas.

O CBSurf Surf de Base é o principal campeonato de formação de atletas do país e decide os títulos brasileiros das categorias Sub 12, Sub 14, Sub 16 e Sub 18, tanto no masculino quanto no feminino. Além disso, o evento é a seletiva oficial para a Seleção Brasileira Júnior de 2026, que representará o Brasil no Mundial da ISA, e também define a federação estadual campeã brasileira, com base no desempenho coletivo das equipes.

O evento é realizado pela Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), com parceria da Federação Pernambucana de Surf (FEPESurf), patrocínio da Prefeitura de Ipojuca e da Secretaria Especial de Esportes de Ipojuca, com apoio do prefeito Carlos Santana e do secretário Deri Costa.

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Arthur Vilar e Guilherme Lemos são os primeiros finalistas da Sub 18

A categoria Sub 18 Masculino já tem seus dois primeiros finalistas definidos. Arthur Vilar (PB) e Guilherme Lemos (RJ) se classificaram diretamente pela chave principal para a grande final, marcada para o próximo domingo (11). Como vieram direto pela chave de cima, os dois seguem sem eliminações no evento e agora aguardam os dois classificados da repescagem para formar o quarteto da decisão.

Arthur, prodígio de apenas 14 anos, já é campeão brasileiro Sub 12, Sub 14 e Sub 16, e agora vai em busca do título da Sub 18. Ele teve uma atuação dominante, pegou oito ondas e liderou a bateria do início ao fim, somando 11.53 pontos, com direito à melhor nota da bateria: 6.03.

“Estou com a cabeça boa. Estou classificado pra final da Sub 18, mesmo ainda sendo Sub 14. Quero muito conquistar esse título, que é o único que ainda não tenho”, diz Arthur. “O mar estava com várias ondas boas. Eu só fui lá fazer o meu surfe porque sei que está encaixando bem com o mar. Estou me sentindo bem na água e isso ajuda muito na hora da bateria, especialmente pra final”.

Já Guilherme precisou virar a bateria nos minutos finais. Ele usou as manobras aéreas nas duas ondas finais para em uma delas arrancar a nota necessária e superar Ryan Martins (SC), que ocupava a segunda colocação até então. Agora, vai com confiança total para a decisão.

“A bateria tava morna, com poucas oportunidades. Mas no final consegui me encontrar. Já tinha um quatro no começo e encaixei dois aéreos no fim. Isso garantiu minha vaga. Já fui campeão aqui na Sub 16, e agora quero esse título na Sub 18 também. Consegui chegar na final sem cair pra repescagem, isso me dá mais confiança. O nível tá altíssimo e tô muito feliz de ter avançado direto”, fala Guilherme.

Ryan Martins e Kauã Carvalho (PR) ficaram, respectivamente, em terceiro e quarto lugar. Eles terão uma segunda chance para alcançar a grande decisão disputando a final da chave de repescagem.

Aysha Ratto e Gabriely Vasque vão à final pela chave prinpal Feminino

A definição das finalistas do feminino trouxe um confronto de competidoras com experiência na categoria profissional. A bateria decisiva reuniu Aysha Ratto (RJ) e Gabriely Vasque (PR), ambas com passagem pelo Dream Tour 2024, além de Luara Mandelli (PR), integrante da elite nacional em 2025. A jovem Valentina Zanoni (SE), de apenas 14 anos, completou a disputa mostrando talento promissor.

Aysha Ratto, atual campeã brasileira da Sub 18 e vencedora da etapa em Porto de Galinhas em 2024, mostrou mais uma vez por que é uma das principais referências da nova geração. Ela manteve um surfe consistente, apostando na leitura de mar e em manobras bem definidas, e venceu a bateria.

“Vim meio de última hora, mas graças a Deus está dando tudo certo. Minhas pranchas novas estão mágicas, e tenho treinado bastante lá em Búzios. As ondas de lá parecem muito com aqui. Estou me sentindo muito leve e preparada. Me manter na chave de cima dá mais confiança e minha estratégia vem funcionando. Quero agradecer ao Leandro Bastos, nosso treinador do Rio, que vem fazendo um trabalho incrível com a gente”.

A disputa foi marcada por equilíbrio e tensão. Luara foi punida com uma interferência por entrar em uma onda da também paranaense Gabriely Vasque, que estava com a prioridade. Com isso, Luara passou a ter apenas uma onda válida em seu somatório.

A segunda vaga ficou com Gabriely Vasque, que soube administrar bem a bateria e garantir o avanço com 6.57 pontos. Gabriely mostrou maturidade ao manter o controle sob pressão. Após competir no Dream Tour no ano passado, agora busca o título brasileiro da base.

“Esou muito feliz de ter avançado. Foi uma bateria difícil, principalmente no início, quando as ondas estavam demorando a aparecer. Mas consegui manter a calma e pegar uma boa direita que garantiu minha nota e a classificação. Agora vou continuar treinando todos os dias, de manhã cedo e à tarde, até a final. Vai ser minha chance de mostrar tudo o que venho trabalhando”.

Luara Mandelli e Valentina Zanoni seguem vivas na competição e disputarão a final da repescagem em busca das últimas vagas na grande decisão de domingo.

Kalani Robles e Alexia Monteiro mostram força nas disputadas na repescagem

Os maiores somatórios do dia vieram logo nas primeiras baterias da manhã, durante a repescagem. Kalani Robles (SP) brilhou na Repescagem 3 Sub 18 Masculino com 13.66 pontos, o maior somatório do evento até agora, com direito a 7.33 de melhor nota do dia. No Feminino, o destaque foi Alexia Monteiro (RS) com 11.33 pontos, incluindo 6.30 como nota máxima da categoria na segunda-feira.

Ambos seguiram avançando e continuam na disputa por uma vaga na grande final da categoria.

Resistência, preparo e superação marcam o ritmo das baterias

A segunda-feira foi puxada para quem seguiu o caminho das repescagens. Maria Eduarda (BA) foi uma das competidoras que passou por uma série de baterias. No dia anterior, viu a vaga escapar no último segundo, quando Alexia Santos (PB) virou a bateria no soar da buzina. Caiu para a repescagem e, com a mentalidade e preparação certa para não se abalar, encarou três baterias, vencendo a última com 10.50 pontos e em uma disputa duríssima que também teve Alexia Monteiro avançando em segundo. Agora, ambas precisam avançar mais duas baterias para alcançar a grande final da Sub 18.

“Estou preparada para quantas baterias forem necessárias. Tenho um preparo físico bom e me alimento bem, então vim com tudo. Cair pra repescagem não me abalou, pelo contrário, me deu ainda mais força. Quanto mais baterias, mais prática, mais volume competitivo eu ganho”, expõe Maria Eduarda. “Antes do campeonato conversei muito com minhas psicólogas sobre focar em uma bateria por vez. Isso me ajudou muito. Mesmo perdendo, sabia que tinha surfado bem. E isso me deu mais gás”.

Raoni Monteiro, diretor de prova, reforçou a importância dessa vivência. “É aprendizado. Esse é o momento de errar, aprender, competir mais. A repescagem tem essa função — dar uma segunda chance, sim, mas também colocar o atleta em repetição de performance: testar físico, emocional, leitura de mar. Tivemos atletas que entraram na água três vezes. Foi um dia de muitas decisões, e isso exige muito dessa molecada. No final do dia, eles saem exaustos, mas isso é o que constrói um competidor. O nível técnico tá muito bom, tem aéreos, notas altas, mas principalmente, a garotada tá aprendendo a competir. É isso que a base precisa”.