El Salvador Pro

Yago e Medina atropelam

Yago Dora faz maior nota do dia e Gabriel Medina maior somatório entre os homens na estreia do El Salvador Pro. Filipe Toledo e Caio Ibelli também conquistam vitórias. Tatiana Weston-Webb é eliminada.
El Salvador Pro 2022

Yago Dora e Gabriel Medina fizeram bonito no primeiro dia do El Salvador Pro. Yago voou alto com rotação, conquistou a primeira e única nota no critério excelente entre os homens na quarta-feira (15) e garantiu vaga nas oitavas de final. Já Medina avançou para a fase dos 16 melhores com o maior somatório entre os homens. Filipe Toledo e Caio Ibelli também venceram na estreia. Tatiana Weston-Webb foi eliminada.

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Após três dias sem disputas, o El Salvador Pro foi iniciado em direitas de meio a 1 metro, mexidas e seccionadas na bancada de Punta Roca. No meio da tarde as ondas cresceram e chegaram a 1,5 metro, mas seguiram irregulares. Nesta quarta-feira foram realizadas as oito baterias da primeira fase masculina, além das quatro do Round 1 feminino e das quatro da repescagem das mulheres.

A estreia do Brasil na categoria masculina foi de alto nível. Yago Dora usou os aéreos para vencer o australiano Ethan Ewing (2º) e o sul-africano Jordy Smith (3º). No melhor voou o brasileiro anotou 9.00 pontos.

Ethan começou melhor. O aussie teve uma boa escolha de ondas e fez um surfe limpo, forçando a rabeta nas manobras. Ele ficou na liderança até os cinco minutos finais, e depois quase retomou a liderança quando anotou 7.50 pontos num momento que necessitava de 7.78.

Jordy, assim como Ethan, tem base regular e surfou de frente para as direitas. O sul-africano também apresentou boas manobras, como rasgadas e batidas, mas em nenhum momento ficou na liderança.

Yago surfou de costas para a direita de Punta Roca. O brasileiro ficou ativo no início da disputa, mas surfou ondas pequenas. Depois ele começou a procurar as rampas para os aéreos.

Aos 12 minutos Yago voou jogando a rabeta bem acima do lip (5.17). Depois pegou direitas que não deram oportunidade de aéreos, mas quando restavam cinco minutos ele achou o que queria. O brasileiro tinha a terceira prioridade, mas remou numa onda, acelerou e logo entrou por baixo da junção. Ele foi alto, girou, aterrissou na base e completou a manobra. Jordy, que tinha a segunda prioridade, já estava de olho na onda para bloquear o brasileiro, que voou antes de chegar perto do sul-africano.

Yago recebeu a primeira nota no critério excelente da etapa, 9.00 pontos, assumiu a primeira posição e venceu. Ethan e Jordy caíram para a repescagem.

“Esse aéreo foi a melhor manobra que eu fiz desde a minha lesão no ano passado (risos)”, diz Yago. “Estou muito feliz por acertar um aéreo como aquele. É uma sensação incrível e eu já estava nas nuvens, mesmo que não vencesse a bateria. Quando você se machuca, não sabe se vai conseguir fazer o mesmo que antes, então acertar uma manobra dessa num campeonato é fantástico. Eu ainda não estava tão confiante para arriscar os aéreos nos treinos, mas aquela onda pediu isso e até a aterrissagem foi bem suave, então foi tudo perfeito”.


Medina com o maior somatório entre os homens – O tricampeão mundial Gabriel Medina também garantiu vaga nas oitavas de final do El Salvador Pro. O brasileiro soltou várias manobras de backside nas direitas mexidas de Punta Roca, e mandou Jadson André (2º) e o australiano Callum Robson (3º) para a repescagem. Ele venceu com o maior somatório do dia entre eles, 14.50 pontos.

Gabriel e Jadson ficaram muito ativos na bateria, enquanto Callum optou por esperar por direitas boas. Jadson abriu com 4.50 pontos, após executar duas batidas e uma rasgada. Medina surfou a direita seguinte da mesma série e foi melhor. Ele fez um floater, seguido de uma batida potente, um cutback, mas uma pancada e uma rasgada, uma batida com rabetada e outra com reverse na parte final e pequena da onda. A nota foi 6.67.

Os brasileiros continuaram pegando muitas ondas, até que Medina disparou na frente quando restavam 12 minutos. Ele bateu chutando a rabeta, fez um floater e executou mais uma série de batidas e rasgadas. A nota 7.83 pontos deixou Callum na necessidade de 14.50 e Jadson de 8.17.

O australiano, que só entrou em ação aos 18 minutos de disputa, tentou entrar no jogo, mas o melhor que fez valeu 3.00 pontos e não mudou sua situação no duelo. Jadson chegou a marcar 6.33, porém a nota não alterou as posições no confronto. Jadson e Callum se enfrentarão na repescagem.

“Eu consegui pegar muitas ondas na bateria, mas a onda é meio difícil de surfar”, conta Medina. “Estou feliz com a vitória e espero que as condições melhorem. Eu já vim para cá algumas vezes e gosto bastante daqui, das pessoas, da comida deliciosa e das ondas. Tenho passado bastante tempo com os brasileiros, com o Filipe (Toledo), o Jadson (André), então isso tem me deixado bem descontraído. Quero conseguir outro bom resultado aqui, mas sem pressão. Meu objetivo é chegar nos top-5 e vou ficar bem feliz se conseguir”.


Líder vence – A segunda vitória brasileira no dia aconteceu na quarta disputa. O atual líder do ranking, Filipe Toledo, fez boa apresentação, com curvas fortes, batidas chutando a rabeta por cima do lip e aéreo. O norte-americano Nat Young ficou em segundo e o local Bryan Perez na terceira posição. Os dois foram para a repescagem.

Filipe se encaixou bem nas condições difíceis de Punta Roca. O grande momento da bateria aconteceu aos 11 minutos. O brasileiro rasgou forte, executou um floater, depois voou com rotação e ainda fez mais três manobras. A performance valeu 7.33 pontos. Com isso ele deixou Nat precisando de 7.08 e Bryan de 8.87.

Quando restavam seis minutos o brasileiro se distanciou ainda mais dos oponentes. Filipinho fez uma série de manobras, a maioria muito fortes, anotou 6.50 pontos e confirmou a vaga nas oitavas.

Nat, que começou bem a bateria, com um ataque forte de backside, perdeu a sintonia com o pico, mas ainda assim terminou em segundo lugar. O salvadorenho Bryan chegou a levantar a torcida com um aéreo reverse, mas finalizou o duelo em último lugar.

“Foi uma viagem longa desde G-Land. Dormi só uma noite em casa (na Califórnia) e já voltei para o aeroporto para vir para cá. Tem sido bastante cansativo, mas faz parte do jogo e estou me sentindo super bem aqui”, diz Filipe. “Essa onda tem umas características parecidas com Jeffreys Bay. A diferença é a água quente e o calor, mas tem várias seções e é importante saber os pontos certos para soltar as manobras. É uma onda superdivertida e estou feliz por ter vencido minha primeira bateria aqui”.


Caio no ataque – Caio Ibelli também venceu na estreia. Ele competiu no sexto confronto e levou a melhor sobre os norte-americanos Jake Marshall (2º) e Griffin Colapinto (3º).

Caio começou com 6.33 pontos, conquistados aos sete minutos de duelo, com uma rasgada alongada, aéreo reverse, batida e layback na junção de espuma. Três minutos depois Griffin repetiu a nota, após executar duas fortes batidas em sequência.

Jake corria por fora com duas notas na casa dos quatro pontos (4.17 e 4.40), mas aos 22 minutos o brasileiro apresentou um surfe limpo com três manobras bem definidas. Ele precisava de 3.28 pontos para tirar a liderança de Griffin, e tirou 5.67. Jake surfou na sequência e jogou seu conterrâneo para a última posição. Griffin passou a tentar os voos ou manobras espetaculares para vencer, mas errou muito e não saiu da última posição.

Brasileiros na repescagem – Além de Jadson, outros três brasileiros não conseguiram vencer nesta quarta-feira. O vencedor das duas últimas etapas do CT, venceu um deles.

Jack Robinson e os adversários, Samuel Pupo e o barbadiano Josh Burke, arriscaram os voos nas direitas. O australiano foi o primeiro a acertar, mas a manobra não teve muita altura e ele não foi tão recompensado. O convidado Josh acertou dois melhores, mas também não abriu distância no placar. O brasileiro também decolou, mas sem destaque.

Samuel chegou a liderar o duelo após rasgar forte e executar um layback com potência, mas Jack passou a acertar as decolagens e a manobrar bem em ondas mais longas. Dessa forma o australiano anotou 5.67 e depois 7.00 pontos. O caminho de Josh e de Samuel ficou complicado. O barbadiano ainda tomou o segundo lugar do brasileiro, mas o resultado não impediu a ida para a repescagem. Jack está na briga pela terceira vitória seguida no CT. Ele venceu em Margaret River e em G-Land. Samuel competirá contra o aussie Connor O’Leary na briga por uma vaga nas oitavas.

Italo Ferreira também não começou bem no El Salvador Pro. O australiano Jackson Baker usou a estratégia de esperar ondas boas, surfou apenas quatro ao longo da bateria de 35 minutos, e mandou o brasileiro e o norte-americano Kolohe Andino para a repescagem.

O campeão mundial de 2019 optou por ficar ativo no confronto e surfou nove ondas. Italo chegou a liderar, mas perdeu a posição para Jackson e não conseguiu reverter a situação. Assim como o brazuca, Kolohe surfou muitas ondas (10), porém a maioria rendeu notas fracas e ele terminou em terceiro lugar.

O australiano só começou a surfar aos 14 minutos de bateria. Jackson executou quatro batidas e largou com 5.67 pontos. Perto dos dez minutos finais o aussie encaixou o surfe em outra direita boa, fez quatro manobras e assumiu a liderança com 6.17.

Italo tentou de tudo pela virada, e no final quase conseguiu. O brasileiro precisava de 6.84 pontos para vencer, e quando faltavam quatro minutos fez cinco manobras, sendo as duas iniciais fortes (rasgada e batida), mas recebeu 6.17. A diferença para o líder caiu e ele ainda foi em busca de 5.67, porém anotou 4.70 e finalizou o duelo em segundo lugar. Nat também caiu para a repescagem ao terminar na terceira posição. O próximo adversário de Italo é Josh Burke.

Miguel Pupo foi mais um brasileiro a perder na estreia. Ele começou mal a última bateria da primeira fase masculina, se recuperou, assumiu a liderança, porém sofreu a virada perto do fim.

O havaiano Barrom Mamiya abriu com 5.83 pontos, depois viu o sul-africano Matthew McGillivray marcar duas notas na casa dos cinco pontos (5.17 e 5.77) e assumir a liderança. Matthew apresentou um surfe vertical e também de rasgadas.

O brasileiro começou a reagir aos 13 minutos. Miguel fez quatro manobras numa direita, sendo as duas últimas (batidas) as melhores. Naquele momento ele precisava de 8.11 pontos e tirou 6.23. Nove minutos depois Miguel pulou pra liderança, após fazer uma apresentação convincente, de seis manobras. Ele necessitava de 4.71 e anotou 6.28.

Quando restavam nove minutos para o fim, Barron atacou uma direita com pancadas potentes, além de uma rasgada boa. Ele buscava 6.11 pontos e foi para a primeira posição com 7.67. Miguel e Matthew tentaram reagir, mas as posições não foram alteradas. Miguel e o norte-americano Jake Marshall formam uma das baterias da repescagem.

Feminino – O primeiro dia do El Salvador Pro começou e terminou com as meninas. Tatiana Weston-Webb foi eliminada no último confronto da quarta-feira por uma empolgada Stephanie Gilmore.

Em nove minutos de duelo a australiana colocou duas notas no placar (4.00 e 5.50), enquanto a brasileira tinha apenas uma onda fraca (0.50). Tati fez 4.13 pontos aos 13 minutos, mas logo depois Stephanie ampliou a diferença com 5.67. Naquele momento a brazuca precisava de 7.04. Mas a situação ainda pioraria.

Aos 25 minutos de disputa a australiana conquistou uma nota no critério excelente. Stephanie fez duas rasgadas fortes, executou um cutback, depois bateu e rasgou mais uma vez antes de errar a junção. Com 8.73 pontos, a maior nota do dia entre as mulheres, ela deixou a brasileira na necessidade de 14.40. Tati ainda fez algumas tentativas, porém não alterou o resultado. Com a derrota ela se despediu do El Salvador Pro na nona posição.

Terceiro lugar no Round 1 – Tatiana não fez boa estreia na sétima etapa do CT 2022. Ela teve dificuldade em achar ondas boas em Punta Roca, e terminou a primeira bateria do evento em último lugar.

A havaiana Gabriela Bryan começou um pouco melhor que as adversárias, mas a norte-americana Lakey Peterson entrou no ritmo ao longo da disputa e venceu.

Lakey conquistou a maior nota da bateria quando restavam 11 minutos para o fim. Ela pegou uma direita da série, fez quatro manobras para anotar 6.83 pontos e assumiu a liderança. Na sequência a norte-americana colocou mais 5.33 no somatório e dificultou o caminho de Gabriela (2ª) e Tatiana (3ª).

Maior somatório do dia – Outra surfista que está nas quartas de final é Carissa Moore. A havaiana ficou em segundo lugar na primeira fase, atrás da norte-americana Courtney Conlogue, e caiu para a repescagem. E aí ela deu show. Carissa não deu chances para a convidada, a norte-americana Tia Blanco. Ela marcou 8.33 e 7.33 pontos para vencer com o maior somatório do dia, 15.66. A havaiana foi tão bem que venceria a bateria com duas notas que ela descartou, 6.40 e 5.00 pontos.

Previsão das ondas – A previsão das ondas oficial do El Salvador Pro, feita pelo Surfline, indica que os próximos dois dias serão os melhores até o final da janela, que fecha na segunda-feira (20).

A quinta-feira (16) deve ter ondas de 5 a 8 pés de face. A ondulação de vento deve continuar se misturando ao swell principal, e as direitas podem permanecer mexidas e seccionadas. O vento tende a variar e ser fraco pela manhã, ganhando pouca força e virando para maral durante a tarde. As condições esperadas para a sexta-feira (17) são parecidas com as de quinta, com direitas um pouco menores, de 5 a 7 pés de face.

Próxima chamada – A próxima chamada para o El Salvador Pro acontece nesta quinta-feira, às 9h45 (de Brasília).

El Salvador Pro 2022
Round 1 masculino

1 Yago Dora (BRA) 14.27 x Ethan Ewing (AUS) 14.00 x Jordy Smith (AFR) 10.73

2 Kanoa Igarashi (JPN) 10.70 x Connor O’Leary (AUS) 10.03 x Carlos Munoz (CRI) 3.27

3 Jack Robinson (AUS) 12.67 x Josh Burke (BAR) 10.00 x Samuel Pupo (BRA) 9.93

4 Filipe Toledo (BRA) 13.83 x Nat Young (EUA) 10.66 x Brian Perez (ELS) 8.96

5 Jackson Baker (AUS) 11.84 x Italo Ferreira (BRA) 11.17 x Kolohe Andino (EUA) 9.50

6 Caio Ibelli (BRA) 12.00 x Jake Marshall (EUA) 10.33 xGriffin Colapinto (EUA) 9.60

7 Gabriel Medina (BRA) 14.50 x Jadson André (BRA) 10.86 x Callum Robson (AUS) 4.70

8 Barron Mamiya (HAV) 13.50 x Miguel Pupo (BRA) 11.93 x Matthew McGillivray (AFR) 10.94

Round 2 (repescagem)

1 Ethan Ewing (AUSS) x Bryan Perez (ELS)

2 Callum Robson (AUS) x Jadson André (BRA)

3 Italo Ferreira (BRA) x Josh Burke (BAR)

4 Kolohe Andino (EUA) x Matthew McGillivray (AFR)

5 Griffin Colapinto (EUA) x Carlos Munoz (CRI)

6 Jordy Smith (AFR) x Nat Young (EUA)

7 Miguel Pupo (BRA) x Jake Marshall (EUA)

8 Connor O’Leary (AUS) x Samuel Pupo (BRA)
Round 1 feminino

1 Lakey Peterson (EUA) 12.16 x Gabriela Bryan (HAV) 10.27 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 7.57

2 Courtney Conlogue (EUA) 11.13 x Carissa Moore (HAV) 10.50 x Tia Blanco (EUA) 8.67

3 Isabella Nichols (AUS) 11.53 x Caroline Marks (EUA) 9.17 x Brisa Hennessy (CRI) 7.44

4 Sally Fitzgibbons (AUS) 12.87 x Johanne Defay (FRA) 8.50 x Stephanie Gilmore (AUS) 8.34

Round 2 (repescagem)

1 Carissa Moore (HAV) 15.66 x 7.84 Tia Blanco (EUA)

2 Johanne Defay (FRA) 13.26 x 10.47 Gabriela Bryan (HAV)

3 Carolina Marks (EUA) 13.30 x 10.44 Brisa Hennessy (CRI)

4 Stephanie Gilmore (AUS) 14.40 x 9.13 Tatiana Weston-Webb (BRA)

Quartas de final femininas

1 Johanne Defay (FRA) x Sally Fitzgibbons (AUS)

2 Lakey Peterson (EUA) x Courtney Conlogue (EUA)

3 Carissa Moore (HAV) x Caroline Marks (EUA)

4 Stephanie Gilmore (AUS) x Isabella Nichols (AUS)

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    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).

    A Praia de Paúba, na Costa Sul de São Sebastião (SP), recebe neste sábado (3) a nona edição do Paúba Super Tubos. A competição reúne 56 surfistas convidados em um dos picos mais técnicos do Litoral Norte paulista, com transmissão ao vivo durante todo o dia. Conhecida pelas ondas fortes, rápidas e tubulares que quebram próximas à faixa de areia, Paúba deve oferecer condições de alto nível para os competidores. A previsão divulgada pela organização indica ondas com mais de 1 metro de altura. A disputa acontece em categoria única e exclusivamente para convidados, selecionados pelo nível técnico necessário para enfrentar as características da onda. O formato conta com seis fases e começou com 40 atletas no Round 1. Os 16 classificados avançam e encontram outros competidores já posicionados na chave. As semifinais e a grande final estão previstas para o período da tarde, com os horários sujeitos a alterações de acordo com as condições do mar. A lista de participantes ainda pode receber nomes que disputam o Challenger Series da WSL em Maresias. Segundo a organização, atletas eliminados antes das finais da competição internacional poderão participar do Paúba Super Tubos. Além das disputas dentro d’água, o evento movimenta a Praia de Paúba e a Costa Sul de São Sebastião, com a presença de atletas, equipes e público. A competição conta com apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Esportes.

    Nona edição do Paúba Super Tubos reúne 56 surfistas neste sábado (3), nas ondas tubulares da Costa Sul de São Sebastião; acompanhe a transmissão ao vivo.