Pro Bells Beach

Chianca é líder

Com vaga garantida nas oitavas de final e eliminação de Jack Robinson no Round 3 do Pro Bells Beach, João Chianca assume momentaneamente a liderança do ranking mundial.
Pro Bells Beach 2023, Victoria, Austrália

O Brasil está no topo do mundo e João Chianca é o cara. Com a classificação para as oitavas de final e a derrota de Jack Robinson no Round 3 do Pro Bells Beach, o surfista ultrapassou o australiano e assumiu a liderança no ranking. O único que ainda pode sair da etapa na frente dele é Filipe Toledo, outro também classificado para a fase dos 16 melhores da competição masculina. Gabriel Medina, Yago Dora, Michael Rodrigues e Tatiana Weston-Webb também seguem vivos na competição.

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O segundo dia de ação foi realizado em condições difíceis para o surfe, com ondas de 8 a 12 pés de face no Bowl de Bell e vento lateral forte. Neste domingo (9) foram realizadas as baterias da repescagem, além das disputas da terceira fase masculina.

João Chianca começou e terminou muito bem a primeira bateria do Round 3 para superar o havaiano Ezekiel Lau. As disputas da fase foram realizadas de forma simultânea e com duração de 45 minutos, cada.

O brasileiro surfou a primeira onda do duelo aos três minutos. João abriu a apresentação com uma batida forte, chutando a rabeta por cima do lip. Depois rasgou com pressão e bateu na crista espumada. A performance valeu 7.67 pontos.

Enquanto Ezekiel não conseguiu encostar no placar, João melhorava seu somatório. O brazuca marcou 4.00 pontos na segunda onda, 4.50 na terceira e 5.27 na quarta. O havaiano começou a reagir na sua quinta direita, que valeu 5.83.

Ezekiel chegou perto da virada quando restavam 17 minutos. Ele executou um cutback, depois fez duas manobras poderosas, uma rasgada e uma batida. O havaiano necessitava de 7.12 pontos e marcou 6.93.

O havaiano fez nova tentativa de virada quando faltavam menos de sete minutos para o término da bateria. Ele foi com tudo para uma junção, mas errou. O havaiano precisava de 6.02 pontos para vencer. Logo ele pegou outra onda, mas novamente não trocou nota.

João deu o golpe final a menos de dois minutos do fim. O brazuca fez duas rasgadas potentes, além de um ataque forte à junção. Ele adicionou 6.27 pontos ao somatório e eliminou Ezekiel, que está em situação delicada para se manter na elite. O havaiano chegou na Austrália em 32º lugar no ranking que classificará apenas os 22 melhores para a segunda metade do circuito.

“Não está fácil lá fora, então só fiquei focado na minha estratégia, de tentar pegar várias ondas”, disse João Chianca. “O bom é que a primeira que eu surfei foi muito boa e me deixou um pouco mais tranquilo. Eu fiz um treino antes de começar o campeonato e não consegui surfar quase nada. Então, na bateria queria pegar as melhores ondas que entravam na bancada e estou feliz que deu certo. Por outro lado, é difícil não pensar nos caras que podem não passar do corte. Eu vivi isso no ano passado e sei como é. Mas, é preciso separar essa parte emocional para fazer o meu trabalho, que era seguir em frente”.


A queda de Jack – João acumulou pontos suficientes para ultrapassar Jack Robinson na liderança do ranking, mas o australiano ainda entraria na água. Ele participou da nona bateria do Round 3.

O vencedor da triagem, o também aussie Xavier Huxtable, começou anotando 5.50 pontos. Jack só entrou em ação na segunda metade do confronto. Ele atuou duas vezes, conquistou as notas 4.00 e 6.07 pontos e assumiu a liderança. Porém, Xavier deu o troco rapidamente. Quando restavam 15 minutos ele surfou, e abriu a atuação com um layback poderoso. O surfista ainda conseguiu rasgar e atingir a junção. Com a nota 7.00 ele pulou para o primeiro lugar.

Jack tentou responder, porém caiu na primeira manobra. Pior pra ele que Xavier colocou mais 6.43 pontos no somatório. Jack ficou com dez minutos para conseguir a nota 7.36 e avançar. Ele só atuou mais uma vez, voltou a cair da prancha e se despediu da competição em 17º lugar.


Filipe de olho na liderança – Jack caiu de primeiro para o segundo lugar no ranking. O australiano pode cair mais no ranking. Para isso acontecer, Filipe Toledo precisa repetir o resultado do ano passado: vencer a etapa. Se isso acontecer ele pode até assumiu a liderança, porém João não pode passar das oitavas.

Filipe deu outro passo rumo ao bicampeonato do Pro Bells Beach. Neste domingo ele virou pra cima do australiano Morgan Cibilic nos minutos finais da bateria válida pelo Round 3.

A quinta bateria da fase foi fraca de ondas. Tanto Filipe quanto Morgan tiveram dificuldade em achar direitas com potencial para notas altas. A bateria de 45 minutos chegou nos últimos 10 com Filipe na frente, tendo como melhor nota 4.67 pontos. Na apresentação ele bateu forte, fez uma rasgada alongada e deu outra pancada pensando em superar a seção, porém a onda fechou.

Na necessidade de 4.34 pontos para vencer, Morgan entrou em ação e quase tomou a liderança do brasileiro. O australiano fez uma rasgada com grande amplitude, mas errou o ataque à junção. Ele marcou 3.50 e passou a precisar de 3.51.

Filipe ficou com a prioridade, mas deixou Morgan surfar quando restavam cinco minutos. O australiano não perdeu a oportunidade e assumiu a primeira posição com 4.93 pontos. O brasileiro passou a necessitar de 3.77 para vencer.

O brazuca se manteve tranquilo e atuou quando faltavam 20 segundos. O campeão mundial começou a apresentação com uma rasgada forte, depois fez duas curvas em direção a espuma e acertou a junção. A performance valeu 4.60 pontos e a uma vaga nas oitavas de final. Morgan, que entrou no evento no lugar do lesionado Miguel Pupo, terminou o Pro Bells Beach na 17ª posição.

“Na verdade, o mar está bem difícil e foi uma batalha competir nessas condições”, lamentou Filipe Toledo. “Acho que não estamos preparados para competir em condições como essas. O tamanho das ondas está bom, só que a formação bem ruim por causa do vento. Mas, confiança é tudo e fui na fé. Já estou há 10 anos no Tour, então sei o que preciso fazer em qualquer situação. Eu gosto das ondas daqui, minha família está aqui comigo dessa vez e tenho me divertido bastante nesses dias sem competição na Austrália”.


Melhor brasileiro no dia – O melhor brasileiro no dia foi Yago Dora. Ele foi o autor das quatro maiores notas da sétima bateria do Round 3. O brasileiro teve uma atuação segura de backside, conseguindo atacar com força as partes mais íngremes das direitas. Foi assim que ele marcou 5.83 pontos na primeira atuação. No decorrer da bateria ele colocou mais 6.67 no somatório. Na performance Yago executou três rasgadas, uma com bastante força, e ainda fez um ataque feroz na última seção. Alguns minutos depois ele melhorou ainda mais sua situação na disputa (5.90).

O australiano Dylan Moffat tinha como melhor nota 5.50 pontos e precisava de 7.07 para vencer. Ele conseguiu diminuir a diferença com 5.80, mas não conseguiu chegar no brasileiro. Yago ainda deu mais um duro golpe no aussie. Quase no final o brasileiro executou uma rasgada e uma pancada com muita potência numa direita da série. A atuação valeu 8.50 pontos, a segunda maior nota do dia, e assegurou a vitória.


Medina vivo na Austrália – O tricampeão mundial Gabriel Medina também segue vivo no Pro Bells Beach. Neste domingo o brasileiro deu mais um passo na tentativa de sua primeira vitória na etapa. Pela terceira fase ele não foi brilhante, mas venceu sem sustos o havaiano Barron Mamiya.

A melhor atuação de Medina na disputa aconteceu aos 30 minutos. Ele surfou uma direita da série, bateu escalando o lip e foi surfando a onda até a junção, parte da direita que ele bateu com força. A performance valeu 5.67 pontos. Com a atuação ele deixou Barron na necessidade de 7.17 para vencer.

Medina surfou mais quatro ondas até o final do confronto, porém não trocou de nota. Barron diminuiu a diferença no placar com 3.83 pontos, sua melhor atuação na bateria, porém perdeu na necessidade de 6.84 pontos. O brasileiro venceu com as cinco maiores notas do duelo.

“As condições estão bem difíceis. Eu tentei achar as ondas boas, mas acabei pegando qualquer uma que vinha pra mim”, disse Gabriel Medina. “Foi importante avançar nessa rodada. Parece que as condições vão melhorar e eu só quero achar ondas com parede boa para surfar. Eu fiquei com o Owen (Wright) no mar e adoro ver ele surfar, mas infelizmente não conseguiu passar. O Ethan (Ewing) é um ótimo surfista e eu sei que preciso pegar as melhores ondas contra ele. Mas, estou me sentindo bem, minhas pranchas estão boas, então estou preparado”.


Duelo brazuca – A 11ª bateria do Round 3 masculino do Pro Bells Beach reuniu pela terceira vez no ano Michael Rodrigues e Italo Ferreira. Ao contrário do que aconteceu nas duas vezes anteriores, Michael venceu. Com o resultado ele garantiu vaga nas oitavas de final e ganhou força na luta contra o corte do meio de temporada da WSL.

Os dois atletas ficaram muito ativos, porém escolhiam ondas que não ofereciam muitas oportunidades de manobras fortes. A história começou a ser escrita nos últimos 7 dos 45 minutos de bateria. Italo usou a prioridade naquele momento, executou uma rasgada potente, outra menos expressiva, um cutback e uma forte pancada na junção. A performance valeu 5.33 pontos e deixou o adversário na necessidade de 6.06 para vencer.

Quatro minutos depois foi a vez de Michael usar a prioridade. Enfim ele achou uma onda mais limpa e com seções em pé. O surfista abriu a apresentação com uma rasgada, seguida de outra numa seção cheia da onda. Depois a direita levantou e ele bateu duas vezes com força. A atuação valeu 6.33 pontos e a liderança da bateria.

Uma série apareceu nos minutos finais. Italo entrou numa direita e executou três manobras, porém, segundo os juízes, ele dropou após o toque da buzina que marca o término de confronto.

Michael perdeu na terceira fase das três etapas anteriores. Ele chegou na Austrália em 27º lugar no ranking e precisa de bons resultados para se manter na elite.


Tati supera repescagem – O Brasil também está nas oitavas de final femininas do Pro Bells Beach. Tatiana Weston-Webb teve um bom início de duelo. A brasileira executou uma forte batida numa onda da série. A expressiva manobra valeu 5.33 pontos. Aos quatro minutos ela voltou a surfar. Tati colocou mais 4.27 no somatório com uma rasgada curta numa parte mais cheia da direita, além de uma batida embaixo do lip.

Até aquele momento a francesa Johanne Defay não tinha achado ondas boas, e a australiana Tyler Wright ainda não tinha entrado em ação. A aussie atuou logo depois da metade da disputa de 35 minutos. Ela fez duas rasgadas invertendo a direção da prancha, além de um cutback entre elas, e anotou 7.67 pontos. Tati e Johanne também surfaram, mas não garantiram notas boas.

A australiana tomou a liderança da brasileira quando restavam seis minutos. Tyler executou quatro vezes a manobra cutback e conquistou 5.23 pontos. Tati passou a necessitar de 7.58 para vencer. A brasileira foi em busca da nota, mas as duas rasgadas que fez valeram apenas 4.33. Tyler venceu e avançou com Tatiana. Johanne, que ficou fora das três etapas anteriores devido a uma fratura no pé direito, foi eliminada da competição.


Baixas brasileiras – Além de Italo Ferreira, o Brasil perdeu Samuel Pupo e Caio Ibelli neste domingo no Pro Bells Beach. A primeira baixa aconteceu na segunda bateria do Round 3. Samuel Pupo começou melhor e estava em melhor sintonia com Bells do que o adversário, Matthew McGillivray.

O brasileiro chegou na metade do confronto com 4.17 e 5.00 pontos como as melhores notas da bateria. O sul-africano tinha apenas 0.87 no somatório. Matthew entrou no jogo quando restavam 16 minutos. Ele executou uma batida forte, além de uma escalada, um cutback e outra batida. Com a nota 5.27 ele passou a precisar de 3.90 para vencer.

A virada aconteceu quando restavam cinco minutos. Matthew executou um cutback, além de uma rasgada e uma batida forte. Ele passou pra liderança com 6.50 pontos, e deixou Samuel na necessidade de 6.77 para se manter vivo na etapa.

Perto do fim o brasileiro foi para o tudo ou nada. Ele acertou um layback na junção e comemorou. O tempo de bateria chegou ao fim sem a divulgação da nota. Três dos cinco juízes deram a virada, porém a nota 6.60 não foi suficiente e ele se despediu do evento.

Caio Ibelli se despediu da etapa na 13ª bateria. O vencedor foi o francês Maxime Huscenot. Caio não entrou em sintonia com o pico australiano. Ele surfou um total de sete ondas, mas não conseguiu passar da casa dos 3 pontos. Ao contrário dele, Maxime achou direitas com potencial e acertou ataques agressivos.

Depois de duas ondas fracas, Maxime começou a se ajustar ao pico. Aos 19 minutos ele anotou 4.83 pontos depois de fazer alguns manobras, sendo uma batida e um layback as mais expressivas. Sete minutos depois ele subiu o nível. O francês executou um layback, depois conectou com o inside e bateu numa junção grande. A nota foi 7.50.

O caminho de Caio, que já era complicado, ficou ainda pior quando restavam 12 minutos. Maxime executou quatro manobras, colocou mais 6.00 pontos no somatório e deixou o brasileiro na necessidade de 9.63 para vencer. Caio ainda tentou a virada, mas ficou longe do que precisava e se despediu do Pro Bells Beach.

Melhor do dia – O surfista autor das maiores marcas do domingo no Pro  Bells Beach foi Griffin Colapinto. O atual quinto colocado no ranking fechou o dia de disputas conquistando duas notas no critério excelente (8.67 e 8.33) e o somatório de 17 pontos.


Owen perde e se aposenta – Owen Wright se despediu do circuito mundial com a 17ª posição no Pro Bells Beach. O medalhista de bronze nas Olimpíadas de Tóquio, e vencedor de quatro eventos do CT, foi convidado pela WSL para o evento australiano para dar adeus às competições. Após vencer pela primeira fase, neste domingo (9) ele competiu pelo Round 3 e perdeu para o conterrâneo Ethan Ewing.

Ethan surfou apenas duas ondas na bateria de 45 minutos, porém marcou 8.00 pontos na segunda atuação e complicou o caminho do adversário. Owen estava num bom ritmo, porém as notas 6.33 e 5.33 não foram suficientes para se manter vivo na etapa.

Owen Wright foi campeão em etapa do CT nos locais de Nova Yorque (2011), Fiji (2015), Gold Coast (2017) e Taiti (2019).


Pro Bells Beach 2023
Round 2 Masculino

1 Liam O’Brien (AUS) 15.17 x Ezekiel Lau (HAV) 9.16 x Callum Robson (AUS) 8.07

2 Barron Mamiya (HAV) 11.93 x Maxime Huscenot (FRA) 9.77 x Rio Waida (IDN) 8.94

3 Kelly Slater (EUA) 12.00 x Connor O’Leary (AUS) 10.74 x Carlos Muñoz (CRI) 10.40

4 Matthew McGillivray (AFR) 13.33 x Ian Gentil (HAV) 13.24 x Jake Marshall (EUA) 9.97

Round 3

1 João Chianca (BRA) 13.94 x 12.76 Ezekiel Lau (HAV)

2 Matthew McGillivray (AFR) 11.77 x 11.60 Samuel Pupo (BRA)

3 Ethan Ewing (AUS) 13.83 x 11.66 Owen Wright (AUS)

4 Gabriel Medina (BRA) 10.67 x 7.33 Barron Mamiya (HAV)

5 Filipe Toledo (BRA) 9.27 x 8.43 Morgan Cibilic (AUS)

6 Jordy Smith (AFR) 9.33 x 8.50 Seth Moniz (HAV)

7 Yago Dora (BRA) 15.17 x 11.30 Dylan Moffat (AUS)

8 Jackson Baker (AUS) 13.67 x 11.16 Leonardo Fioravanti (ITA)

9 Xavier Huxtable (AUS) 13.43 x 10.01 Jack Robinson (AUS)

10 Connor O’Leary (AUS) 15.73 x 11.76 Nat Young (EUA)

11 Michael Rodrigues (BRA) 10.10 x 9.83 Italo Ferreira (BRA)

12 John John Florence (HAV) 15.83 x 9.50 Kolohe Andino (EUA)

13 Maxime Huscenot (FRA) 13.50 x 7.44 Caio Ibelli (BRA)

14 Ryan Callinan (AUS) 14.37 x 12.60 Ian Gentil (HAV)

15 Kanoa Igarashi (JAP) 13.93 x 10.43 Kelly Slater (EUA)

16 Griffin Colapinto (EUA) 17.00 x 11.10 Liam O’Brien (AUS)

Oitavas de final

1 João Chianca (BRA) x Matthew McGillivray (AFR)

2 Ethan Ewing (AUS) x Gabriel Medina (BRA)

3 Filipe Toledo (BRA) x Jordy Smith (AFR)

4 Yago Dora (BRA) x Jackson Baker (AUS)

5 Xavier Huxtable (AUS) x Connor O’Leary (AUS)

Michael Rodrigues (BRA) x John John Florence (HAV)

7 Maxime Huscenot (FRA) x Ryan Callinan (AUS)

8 Kanoa Igarashi (JAP) x Griffin Colapinto (EUA)

Round 2 Feminino

1 Caitlin Simmers (EUA) 9.66 x Kobie Enright (AUS) 6.30 x Brisa Hennessy (CRI) 5.50

2 Tyler Wright (AUS) 12.90 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 9.66 x Johanne Defay (FRA) 5.57

Oitavas de final

1 Caitlin Simmers (EUA) x Isabella Nichols (AUS)

2 Caroline Marks (EUA) x Macy Callaghan (AUS)

3 Molly Picklum (AUS) x Sophie McCulloch (AUS)

4 Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Sally Fitzgibbons (AUS)

5 Carissa Moore (HAV) x Kobie Enright (AUS)

6 Tyler Wright (AUS) x Gabriela Bryan (HAV)

7 Tatiana Weston-Webb (BRA) x Courtney Conlogue (EUA)

8 Stephanie Gilmore (AUS) x Lakey Peterson (EUA)

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    O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.