Pro Bells Beach

Chianca é líder

Com vaga garantida nas oitavas de final e eliminação de Jack Robinson no Round 3 do Pro Bells Beach, João Chianca assume momentaneamente a liderança do ranking mundial.
Pro Bells Beach 2023, Victoria, Austrália

O Brasil está no topo do mundo e João Chianca é o cara. Com a classificação para as oitavas de final e a derrota de Jack Robinson no Round 3 do Pro Bells Beach, o surfista ultrapassou o australiano e assumiu a liderança no ranking. O único que ainda pode sair da etapa na frente dele é Filipe Toledo, outro também classificado para a fase dos 16 melhores da competição masculina. Gabriel Medina, Yago Dora, Michael Rodrigues e Tatiana Weston-Webb também seguem vivos na competição.

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O segundo dia de ação foi realizado em condições difíceis para o surfe, com ondas de 8 a 12 pés de face no Bowl de Bell e vento lateral forte. Neste domingo (9) foram realizadas as baterias da repescagem, além das disputas da terceira fase masculina.

João Chianca começou e terminou muito bem a primeira bateria do Round 3 para superar o havaiano Ezekiel Lau. As disputas da fase foram realizadas de forma simultânea e com duração de 45 minutos, cada.

O brasileiro surfou a primeira onda do duelo aos três minutos. João abriu a apresentação com uma batida forte, chutando a rabeta por cima do lip. Depois rasgou com pressão e bateu na crista espumada. A performance valeu 7.67 pontos.

Enquanto Ezekiel não conseguiu encostar no placar, João melhorava seu somatório. O brazuca marcou 4.00 pontos na segunda onda, 4.50 na terceira e 5.27 na quarta. O havaiano começou a reagir na sua quinta direita, que valeu 5.83.

Ezekiel chegou perto da virada quando restavam 17 minutos. Ele executou um cutback, depois fez duas manobras poderosas, uma rasgada e uma batida. O havaiano necessitava de 7.12 pontos e marcou 6.93.

O havaiano fez nova tentativa de virada quando faltavam menos de sete minutos para o término da bateria. Ele foi com tudo para uma junção, mas errou. O havaiano precisava de 6.02 pontos para vencer. Logo ele pegou outra onda, mas novamente não trocou nota.

João deu o golpe final a menos de dois minutos do fim. O brazuca fez duas rasgadas potentes, além de um ataque forte à junção. Ele adicionou 6.27 pontos ao somatório e eliminou Ezekiel, que está em situação delicada para se manter na elite. O havaiano chegou na Austrália em 32º lugar no ranking que classificará apenas os 22 melhores para a segunda metade do circuito.

“Não está fácil lá fora, então só fiquei focado na minha estratégia, de tentar pegar várias ondas”, disse João Chianca. “O bom é que a primeira que eu surfei foi muito boa e me deixou um pouco mais tranquilo. Eu fiz um treino antes de começar o campeonato e não consegui surfar quase nada. Então, na bateria queria pegar as melhores ondas que entravam na bancada e estou feliz que deu certo. Por outro lado, é difícil não pensar nos caras que podem não passar do corte. Eu vivi isso no ano passado e sei como é. Mas, é preciso separar essa parte emocional para fazer o meu trabalho, que era seguir em frente”.


A queda de Jack – João acumulou pontos suficientes para ultrapassar Jack Robinson na liderança do ranking, mas o australiano ainda entraria na água. Ele participou da nona bateria do Round 3.

O vencedor da triagem, o também aussie Xavier Huxtable, começou anotando 5.50 pontos. Jack só entrou em ação na segunda metade do confronto. Ele atuou duas vezes, conquistou as notas 4.00 e 6.07 pontos e assumiu a liderança. Porém, Xavier deu o troco rapidamente. Quando restavam 15 minutos ele surfou, e abriu a atuação com um layback poderoso. O surfista ainda conseguiu rasgar e atingir a junção. Com a nota 7.00 ele pulou para o primeiro lugar.

Jack tentou responder, porém caiu na primeira manobra. Pior pra ele que Xavier colocou mais 6.43 pontos no somatório. Jack ficou com dez minutos para conseguir a nota 7.36 e avançar. Ele só atuou mais uma vez, voltou a cair da prancha e se despediu da competição em 17º lugar.


Filipe de olho na liderança – Jack caiu de primeiro para o segundo lugar no ranking. O australiano pode cair mais no ranking. Para isso acontecer, Filipe Toledo precisa repetir o resultado do ano passado: vencer a etapa. Se isso acontecer ele pode até assumiu a liderança, porém João não pode passar das oitavas.

Filipe deu outro passo rumo ao bicampeonato do Pro Bells Beach. Neste domingo ele virou pra cima do australiano Morgan Cibilic nos minutos finais da bateria válida pelo Round 3.

A quinta bateria da fase foi fraca de ondas. Tanto Filipe quanto Morgan tiveram dificuldade em achar direitas com potencial para notas altas. A bateria de 45 minutos chegou nos últimos 10 com Filipe na frente, tendo como melhor nota 4.67 pontos. Na apresentação ele bateu forte, fez uma rasgada alongada e deu outra pancada pensando em superar a seção, porém a onda fechou.

Na necessidade de 4.34 pontos para vencer, Morgan entrou em ação e quase tomou a liderança do brasileiro. O australiano fez uma rasgada com grande amplitude, mas errou o ataque à junção. Ele marcou 3.50 e passou a precisar de 3.51.

Filipe ficou com a prioridade, mas deixou Morgan surfar quando restavam cinco minutos. O australiano não perdeu a oportunidade e assumiu a primeira posição com 4.93 pontos. O brasileiro passou a necessitar de 3.77 para vencer.

O brazuca se manteve tranquilo e atuou quando faltavam 20 segundos. O campeão mundial começou a apresentação com uma rasgada forte, depois fez duas curvas em direção a espuma e acertou a junção. A performance valeu 4.60 pontos e a uma vaga nas oitavas de final. Morgan, que entrou no evento no lugar do lesionado Miguel Pupo, terminou o Pro Bells Beach na 17ª posição.

“Na verdade, o mar está bem difícil e foi uma batalha competir nessas condições”, lamentou Filipe Toledo. “Acho que não estamos preparados para competir em condições como essas. O tamanho das ondas está bom, só que a formação bem ruim por causa do vento. Mas, confiança é tudo e fui na fé. Já estou há 10 anos no Tour, então sei o que preciso fazer em qualquer situação. Eu gosto das ondas daqui, minha família está aqui comigo dessa vez e tenho me divertido bastante nesses dias sem competição na Austrália”.


Melhor brasileiro no dia – O melhor brasileiro no dia foi Yago Dora. Ele foi o autor das quatro maiores notas da sétima bateria do Round 3. O brasileiro teve uma atuação segura de backside, conseguindo atacar com força as partes mais íngremes das direitas. Foi assim que ele marcou 5.83 pontos na primeira atuação. No decorrer da bateria ele colocou mais 6.67 no somatório. Na performance Yago executou três rasgadas, uma com bastante força, e ainda fez um ataque feroz na última seção. Alguns minutos depois ele melhorou ainda mais sua situação na disputa (5.90).

O australiano Dylan Moffat tinha como melhor nota 5.50 pontos e precisava de 7.07 para vencer. Ele conseguiu diminuir a diferença com 5.80, mas não conseguiu chegar no brasileiro. Yago ainda deu mais um duro golpe no aussie. Quase no final o brasileiro executou uma rasgada e uma pancada com muita potência numa direita da série. A atuação valeu 8.50 pontos, a segunda maior nota do dia, e assegurou a vitória.


Medina vivo na Austrália – O tricampeão mundial Gabriel Medina também segue vivo no Pro Bells Beach. Neste domingo o brasileiro deu mais um passo na tentativa de sua primeira vitória na etapa. Pela terceira fase ele não foi brilhante, mas venceu sem sustos o havaiano Barron Mamiya.

A melhor atuação de Medina na disputa aconteceu aos 30 minutos. Ele surfou uma direita da série, bateu escalando o lip e foi surfando a onda até a junção, parte da direita que ele bateu com força. A performance valeu 5.67 pontos. Com a atuação ele deixou Barron na necessidade de 7.17 para vencer.

Medina surfou mais quatro ondas até o final do confronto, porém não trocou de nota. Barron diminuiu a diferença no placar com 3.83 pontos, sua melhor atuação na bateria, porém perdeu na necessidade de 6.84 pontos. O brasileiro venceu com as cinco maiores notas do duelo.

“As condições estão bem difíceis. Eu tentei achar as ondas boas, mas acabei pegando qualquer uma que vinha pra mim”, disse Gabriel Medina. “Foi importante avançar nessa rodada. Parece que as condições vão melhorar e eu só quero achar ondas com parede boa para surfar. Eu fiquei com o Owen (Wright) no mar e adoro ver ele surfar, mas infelizmente não conseguiu passar. O Ethan (Ewing) é um ótimo surfista e eu sei que preciso pegar as melhores ondas contra ele. Mas, estou me sentindo bem, minhas pranchas estão boas, então estou preparado”.


Duelo brazuca – A 11ª bateria do Round 3 masculino do Pro Bells Beach reuniu pela terceira vez no ano Michael Rodrigues e Italo Ferreira. Ao contrário do que aconteceu nas duas vezes anteriores, Michael venceu. Com o resultado ele garantiu vaga nas oitavas de final e ganhou força na luta contra o corte do meio de temporada da WSL.

Os dois atletas ficaram muito ativos, porém escolhiam ondas que não ofereciam muitas oportunidades de manobras fortes. A história começou a ser escrita nos últimos 7 dos 45 minutos de bateria. Italo usou a prioridade naquele momento, executou uma rasgada potente, outra menos expressiva, um cutback e uma forte pancada na junção. A performance valeu 5.33 pontos e deixou o adversário na necessidade de 6.06 para vencer.

Quatro minutos depois foi a vez de Michael usar a prioridade. Enfim ele achou uma onda mais limpa e com seções em pé. O surfista abriu a apresentação com uma rasgada, seguida de outra numa seção cheia da onda. Depois a direita levantou e ele bateu duas vezes com força. A atuação valeu 6.33 pontos e a liderança da bateria.

Uma série apareceu nos minutos finais. Italo entrou numa direita e executou três manobras, porém, segundo os juízes, ele dropou após o toque da buzina que marca o término de confronto.

Michael perdeu na terceira fase das três etapas anteriores. Ele chegou na Austrália em 27º lugar no ranking e precisa de bons resultados para se manter na elite.


Tati supera repescagem – O Brasil também está nas oitavas de final femininas do Pro Bells Beach. Tatiana Weston-Webb teve um bom início de duelo. A brasileira executou uma forte batida numa onda da série. A expressiva manobra valeu 5.33 pontos. Aos quatro minutos ela voltou a surfar. Tati colocou mais 4.27 no somatório com uma rasgada curta numa parte mais cheia da direita, além de uma batida embaixo do lip.

Até aquele momento a francesa Johanne Defay não tinha achado ondas boas, e a australiana Tyler Wright ainda não tinha entrado em ação. A aussie atuou logo depois da metade da disputa de 35 minutos. Ela fez duas rasgadas invertendo a direção da prancha, além de um cutback entre elas, e anotou 7.67 pontos. Tati e Johanne também surfaram, mas não garantiram notas boas.

A australiana tomou a liderança da brasileira quando restavam seis minutos. Tyler executou quatro vezes a manobra cutback e conquistou 5.23 pontos. Tati passou a necessitar de 7.58 para vencer. A brasileira foi em busca da nota, mas as duas rasgadas que fez valeram apenas 4.33. Tyler venceu e avançou com Tatiana. Johanne, que ficou fora das três etapas anteriores devido a uma fratura no pé direito, foi eliminada da competição.


Baixas brasileiras – Além de Italo Ferreira, o Brasil perdeu Samuel Pupo e Caio Ibelli neste domingo no Pro Bells Beach. A primeira baixa aconteceu na segunda bateria do Round 3. Samuel Pupo começou melhor e estava em melhor sintonia com Bells do que o adversário, Matthew McGillivray.

O brasileiro chegou na metade do confronto com 4.17 e 5.00 pontos como as melhores notas da bateria. O sul-africano tinha apenas 0.87 no somatório. Matthew entrou no jogo quando restavam 16 minutos. Ele executou uma batida forte, além de uma escalada, um cutback e outra batida. Com a nota 5.27 ele passou a precisar de 3.90 para vencer.

A virada aconteceu quando restavam cinco minutos. Matthew executou um cutback, além de uma rasgada e uma batida forte. Ele passou pra liderança com 6.50 pontos, e deixou Samuel na necessidade de 6.77 para se manter vivo na etapa.

Perto do fim o brasileiro foi para o tudo ou nada. Ele acertou um layback na junção e comemorou. O tempo de bateria chegou ao fim sem a divulgação da nota. Três dos cinco juízes deram a virada, porém a nota 6.60 não foi suficiente e ele se despediu do evento.

Caio Ibelli se despediu da etapa na 13ª bateria. O vencedor foi o francês Maxime Huscenot. Caio não entrou em sintonia com o pico australiano. Ele surfou um total de sete ondas, mas não conseguiu passar da casa dos 3 pontos. Ao contrário dele, Maxime achou direitas com potencial e acertou ataques agressivos.

Depois de duas ondas fracas, Maxime começou a se ajustar ao pico. Aos 19 minutos ele anotou 4.83 pontos depois de fazer alguns manobras, sendo uma batida e um layback as mais expressivas. Sete minutos depois ele subiu o nível. O francês executou um layback, depois conectou com o inside e bateu numa junção grande. A nota foi 7.50.

O caminho de Caio, que já era complicado, ficou ainda pior quando restavam 12 minutos. Maxime executou quatro manobras, colocou mais 6.00 pontos no somatório e deixou o brasileiro na necessidade de 9.63 para vencer. Caio ainda tentou a virada, mas ficou longe do que precisava e se despediu do Pro Bells Beach.

Melhor do dia – O surfista autor das maiores marcas do domingo no Pro  Bells Beach foi Griffin Colapinto. O atual quinto colocado no ranking fechou o dia de disputas conquistando duas notas no critério excelente (8.67 e 8.33) e o somatório de 17 pontos.


Owen perde e se aposenta – Owen Wright se despediu do circuito mundial com a 17ª posição no Pro Bells Beach. O medalhista de bronze nas Olimpíadas de Tóquio, e vencedor de quatro eventos do CT, foi convidado pela WSL para o evento australiano para dar adeus às competições. Após vencer pela primeira fase, neste domingo (9) ele competiu pelo Round 3 e perdeu para o conterrâneo Ethan Ewing.

Ethan surfou apenas duas ondas na bateria de 45 minutos, porém marcou 8.00 pontos na segunda atuação e complicou o caminho do adversário. Owen estava num bom ritmo, porém as notas 6.33 e 5.33 não foram suficientes para se manter vivo na etapa.

Owen Wright foi campeão em etapa do CT nos locais de Nova Yorque (2011), Fiji (2015), Gold Coast (2017) e Taiti (2019).


Pro Bells Beach 2023
Round 2 Masculino

1 Liam O’Brien (AUS) 15.17 x Ezekiel Lau (HAV) 9.16 x Callum Robson (AUS) 8.07

2 Barron Mamiya (HAV) 11.93 x Maxime Huscenot (FRA) 9.77 x Rio Waida (IDN) 8.94

3 Kelly Slater (EUA) 12.00 x Connor O’Leary (AUS) 10.74 x Carlos Muñoz (CRI) 10.40

4 Matthew McGillivray (AFR) 13.33 x Ian Gentil (HAV) 13.24 x Jake Marshall (EUA) 9.97

Round 3

1 João Chianca (BRA) 13.94 x 12.76 Ezekiel Lau (HAV)

2 Matthew McGillivray (AFR) 11.77 x 11.60 Samuel Pupo (BRA)

3 Ethan Ewing (AUS) 13.83 x 11.66 Owen Wright (AUS)

4 Gabriel Medina (BRA) 10.67 x 7.33 Barron Mamiya (HAV)

5 Filipe Toledo (BRA) 9.27 x 8.43 Morgan Cibilic (AUS)

6 Jordy Smith (AFR) 9.33 x 8.50 Seth Moniz (HAV)

7 Yago Dora (BRA) 15.17 x 11.30 Dylan Moffat (AUS)

8 Jackson Baker (AUS) 13.67 x 11.16 Leonardo Fioravanti (ITA)

9 Xavier Huxtable (AUS) 13.43 x 10.01 Jack Robinson (AUS)

10 Connor O’Leary (AUS) 15.73 x 11.76 Nat Young (EUA)

11 Michael Rodrigues (BRA) 10.10 x 9.83 Italo Ferreira (BRA)

12 John John Florence (HAV) 15.83 x 9.50 Kolohe Andino (EUA)

13 Maxime Huscenot (FRA) 13.50 x 7.44 Caio Ibelli (BRA)

14 Ryan Callinan (AUS) 14.37 x 12.60 Ian Gentil (HAV)

15 Kanoa Igarashi (JAP) 13.93 x 10.43 Kelly Slater (EUA)

16 Griffin Colapinto (EUA) 17.00 x 11.10 Liam O’Brien (AUS)

Oitavas de final

1 João Chianca (BRA) x Matthew McGillivray (AFR)

2 Ethan Ewing (AUS) x Gabriel Medina (BRA)

3 Filipe Toledo (BRA) x Jordy Smith (AFR)

4 Yago Dora (BRA) x Jackson Baker (AUS)

5 Xavier Huxtable (AUS) x Connor O’Leary (AUS)

6 Michael Rodrigues (BRA) x John John Florence (HAV)

7 Maxime Huscenot (FRA) x Ryan Callinan (AUS)

8 Kanoa Igarashi (JAP) x Griffin Colapinto (EUA)

Round 2 Feminino

1 Caitlin Simmers (EUA) 9.66 x Kobie Enright (AUS) 6.30 x Brisa Hennessy (CRI) 5.50

2 Tyler Wright (AUS) 12.90 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 9.66 x Johanne Defay (FRA) 5.57

Oitavas de final

1 Caitlin Simmers (EUA) x Isabella Nichols (AUS)

2 Caroline Marks (EUA) x Macy Callaghan (AUS)

3 Molly Picklum (AUS) x Sophie McCulloch (AUS)

4 Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Sally Fitzgibbons (AUS)

5 Carissa Moore (HAV) x Kobie Enright (AUS)

6 Tyler Wright (AUS) x Gabriela Bryan (HAV)

7 Tatiana Weston-Webb (BRA) x Courtney Conlogue (EUA)

8 Stephanie Gilmore (AUS) x Lakey Peterson (EUA)

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    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).