Eleições CBSurf

Ferragina decifra conselho fiscal

Candidato ao Conselho Fiscal da CBSurf, Marco Ferragina explica como funciona atuação do cargo, que faz parte de uma iniciativa independente das chapas concorrentes.
Marco Ferragina, candidato à vice-presidência da CBSurf.

Marco Ferragina, 34 anos, é mais um entre tantos surfistas da capital paulista, um apaixonado pelas ondas há 21 anos, desde quando começou no esporte em Peruíbe, litoral Sul do estado de São Paulo. 
No mar, a evolução surgiu com viagens para tradicionais destinos icônicos do surfe, para aprimorar a performance e desvendar, cada vez mais, a particularidade de cada onda. Austrália, Havaí, Peru, Califórnia, Marrocos, Maldivas, Sri Lanka, Ilhas Canárias, Costa Rica e Panamá – além dos principais picos de surfe do Brasil, entraram no roteiro de Marquinho, como também é conhecido nas praias e nos bastidores do surfe paulista.
Nesta sexta-feira, Marco Ferragina apresentaria seu nome às eleições mais disputadas da história da Confederação Brasileira de Surf, na condição de candidato a uma das seis vagas de conselheiro fiscal da CBSurf, caso as eleições não estivessem suspensas pelo Tribunal de Justiça da Bahia.
A vaga de conselheiro fiscal é uma iniciativa que independe de qualquer uma das três chapas concorrentes. E um detalhe curioso do seu pleito é o fato de que ele só decidiu se candidatar depois de analisar o edital da CBSurf e entender que se encaixava como uma luva e sem restrições para a importante missão.
“Eu simplesmente soube pela imprensa especializada que havia sido publicado o edital de convocação para as eleições e consultei com detalhes o procedimento eleitoral que estava disponível no site da CBSurf. Candidatar-me ao Conselho Fiscal não é um privilégio meu, mas sim um direito de qualquer cidadão brasileiro que lesse o edital e cumprisse requisitos, assim como estar em pleno gozo de seus direitos. Verifiquei que houve várias candidaturas a membro do Conselho Fiscal e que não foram habilitadas, uma pena. Se houvesse mais candidaturas habilitadas o debate poderia ser mais rico”, relata Marco Ferragina às vésperas da eleição.

Além de atender os critérios para ser elegível, ele conta com o aval de quatro federações estaduais – Pará, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro. O cargo de conselheiro fiscal também atraiu o baiano Armando Daltro, ex-campeão mundial do WQS, bem como o gaúcho Rodrigo Dornelles, outro renomado surfista defensor do país por muitos anos na elite do circuito mundial. 
Porém, de acordo com a Resolução 001 da Comissão Eleitoral da CBSurf, somente Ferragina e o ex-competidor Michel Cardoso, da praia do Solemar, Praia Grande (SP), estão habilitados a participar da mais concorrida e esperada eleição da história da entidade.
Ata de 8/12/2020 da Comissão Eleitoral
Ata de 10/12/2020 da Comissão Eleitoral
Ata de 14/12/2020 da Comissão Eleitoral
Ato de Comissão Eleitoral
AP-04/2020 CBSurf
Edital de convocação de Assembleia Geral Eletiva da CBSurf
Estatuto CBSurf 2019
“Há mais de 12 anos venho trabalhando com o surfe no Estado de São Paulo, sendo muito atuante, principalmente no Litoral Sul do Estado. E há pouco tempo fiz parte de um movimento entre as entidades do Estado de São Paulo em prol do surfe paulista em apoio a criação da nova Federação de Surf do Estado, a SP Surf, e comecei a pensar no que mais eu poderia me envolver para tentar melhorar a vida dos atletas e simpatizantes do esporte. Por isso, quando vi a publicação do edital de convocação da CBSurf não pensei duas vezes em me candidatar para o Conselho Fiscal”, explica o também candidato Michel Cardoso.
Estes movimentos em busca de renovação no ambiente diretivo do esporte tornam ainda mais atraente a eleição para a diretoria da CBSurf nesta sexta-feira. Além do candidato a reeleição, o baiano Adalvo Argolo, a disputa também conta com as candidaturas de Jojó de Olivença, surfista de Ilhéus (BA), campeão brasileiro de surfe profissional pela ABRASP (Associação Brasileira de Surf Profissional) e atleta da elite do World Tour, além do legend carioca Ricardo Bocão, sócio diretor do canal de TV Woohoo, um dos mais conceituados homens da mídia especializada no Brasil.

Quem elege tanto a chapa para presidente e vice, quanto os membros do Conselho Fiscal, são as federações atualmente filiadas à CBSurf em pleno gozo de seus direitos, conforme publicado na relação de federações habilitadas a voto, no edital de convocação para a eleição.

Na entrevista exclusiva de Marco Ferragina ao Waves a seguir, ele aproveita para detalhar a sua experiência e expectativa de promover um trabalho independente e de rigor técnico junto a CBSurf.

Por que decidiu se candidatar ao cargo de conselheiro fiscal da CBSurf?
Resolvi me candidatar ao Conselho Fiscal da CBSurf para o período de 2021 a 2024 pois enxerguei uma oportunidade de contribuir para a profissionalização e aprimoramento da gestão, transparência e governança da entidade. 
Esse momento democrático inédito no surfe brasileiro acabou gerando uma disputa insana pela cadeira de presidente e vice, mas ninguém prestou atenção para a importância que o Conselho Fiscal da entidade terá neste momento, como órgão fiscalizador dos atos praticados pela diretoria que for eleita, seja ela qual for. Outro fato que me motivou a participar deste pleito foi a possibilidade de lançar uma candidatura autônoma e independente, sem associação direta a nenhuma chapa que concorra à presidência da entidade.
Como descobriu que poderia se candidatar?
Eu simplesmente soube pela imprensa especializada que havia sido publicado o edital de convocação para as eleições e consultei com detalhes o procedimento eleitoral que estava disponível no site da CBSurf. Candidatar ao Conselho Fiscal não é um privilégio meu, mas sim um direito de qualquer cidadão brasileiro que ler o edital, além de cumprir com os requisitos e em pleno gozo de seus direitos. 
Verifiquei então que houve várias candidaturas a membro do Conselho Fiscal e que não foram habilitadas, uma pena. Se houvesse mais candidaturas habilitadas o debate poderia ser mais rico.
Como é o trabalho de conselheiro fiscal? É remunerado? Qual a duração do mandato?
O Conselho Fiscal, por definição e atribuição estatutária, de acordo com a seção XII artigos 60 e 61 do estatuto da entidade, tem o dever de fiscalizar os atos financeiros praticados pela diretoria. Trata-se do órgão que consegue dar transparência e credibilidade para os atos da diretoria, e assim contribuir para a governança da entidade. 
Por isso, a importância de a candidatura dos membros do Conselho Fiscal não estar associada à candidatura de nenhuma chapa concorrente à presidente e vice, justamente para garantir a transparência almejada com este trabalho, até porque eventuais questionamentos não são bons para a entidade ou para o esporte. 
É necessário haver uma independência clara entre Diretoria e Conselho Fiscal, a fim de manter a autonomia do conselheiro. O trabalho do Conselho Fiscal não é remunerado e a duração do mandato é de quatro anos, de 2021 a 2024.

O conselheiro tem total independência para analisar as contas ou ele se sujeita à diretoria da CBSurf?
O Conselho Fiscal é e deve se manter sempre como um órgão autônomo e independente, para que tenha total liberdade e autonomia de fiscalizar as contas e atos praticados pela diretoria. 
Se não houver essa independência o processo democrático fica corrompido. 
Não aceito, em hipótese alguma, a ideia de um conselho fiscal submisso e sujeito às decisões da diretoria. Para o Conselho Fiscal, não deve importar quem é a pessoa sentada na cadeira de presidente, deve haver impessoalidade nessa relação. 
Como analisa as três candidaturas?
Como candidato autônomo a membro do Conselho Fiscal, e buscando manter sempre a impessoalidade, o que posso dizer é que vejo as três candidaturas em busca de algo melhor para o surfe.
Considero muito válida essa pluralidade de chapas, contribui muito para a construção de um processo democrático mais sólido e para um debate mais rico entre os concorrentes, e quem ganha com isso é o surfe brasileiro. 
Para o Conselho Fiscal não deve importar quem vai sentar na cadeira do presidente, mas sim se o que foi praticado está de acordo com a legislação e não configura nenhum ato grave ou lesivo ao esporte. 
Qual sua experiência com gestão de esportes?
Toda minha carreira profissional é ligada ao marketing esportivo. Fui empresário por 10 anos com uma agência especializada em esporte e entretenimento, trabalhei por dois anos como general manager de um veículo especializado em surfe e atualmente gerencio a área de Inteligência de Mercado no grupo Norte Marketing Esportivo, relevante player do segmento. 
Ao longo da minha carreira, também estive envolvido diretamente com a gestão de entidades esportivas e do terceiro setor, como por exemplo Associação Paulista de Surf Universitário (presidente 2008-2010), Associação de Skate Universitário (Fundador 2010 e presidente 2018-2022), Associação de Surf da Grande São Paulo (Vice-Presidente 2013-2015 e 2019-2021), Associação Brasileira da Indústria dos Esportes com Prancha (Fundador e Vice-Presidente 2017-2019), Associação de Surf Feminino (Presidente do Conselho Fiscal 2019-2022) e Federação de Surf do Estado de São Paulo (Diretor de Relações Institucionais 2020-2023). 
Toda essa bagagem acredito que me capacita e me certifica para concorrer ao cargo de membro do Conselho Fiscal da CBSurf para o período 2021-2024.
Quantos conselheiros concorrem ao pleito?
O estatuto prevê que o Conselho Fiscal deve ser composto por seis membros, sendo três efetivos e três suplentes. Porém, apenas duas candidaturas foram habilitadas, a minha e a do Michel Cardoso, que também aplicou como candidato autônomo sem associação direta a nenhuma chapa. 
O que deve ocorrer, caso eu e o Michel sejamos eleitos, é a convocação de uma nova eleição para eleger os membros que ainda faltam para completar o Conselho Fiscal em sua integralidade.

E qual seu retrospecto como surfista?
Surfe é minha maior paixão desde a pré-adolescência. Tenho 34 anos e surfo há 21 anos, sou paulistano e aprendi a surfar em Peruíbe, litoral sul de São Paulo. Fui competidor amador (Circuitos Universitário e Paulistano) entre 2004 e 2008. Tenho na bagagem surf trips para Austrália, Hawaii, Peru, Califórnia, Marrocos, Maldivas, Sri Lanka, Ilhas Canárias, Costa Rica e Panamá – além dos principais picos de surf do Brasil. 
Qual seu tipo de onda preferido?
Busco ondas extensas e com seções distintas, que propiciem diferentes tipos de manobras na mesma onda. Maldivas para mim até hoje é o sinônimo de onda perfeita e que me agrada em cheio.
Voltando a falar de sua candidatura, como define o seu perfil político para o  trabalho em associação?
Sou uma pessoa que busca sempre o consenso, a coalizão. Não gosto de impor opiniões, mas discutir as melhores possibilidades com todas as partes envolvidas. 
Considera-se mais conciliador ou mais ousado nos temas políticos?
Conciliador, sem sombra de dúvidas. Ao meu ver, a arte da política é conciliar opiniões divergentes dentro do mesmo guarda-chuva, tarefa árdua porém necessária. 
Partindo do princípio que sua candidatura é bastante viável, qual seria a maior dificuldade para realizar seu trabalho com qualidade?
A maior dificuldade que eu poderia enfrentar seria qualquer tentativa contra a autonomia e independência do Conselho Fiscal. Qualquer tentativa de bloquear ou anular a atuação do Conselho Fiscal eu enxergo como uma afronta ao processo democrático que está sendo criado nesse momento para o surf brasileiro.
A atual diretoria da CBSurf tem sido bastante contestada no meio do surfe e nas redes sociais, a ponto de haver outros dois candidatos novos, além de Adalvo Argolo, atual presidente que busca a reeleição. No caso de vitória de Adalvo, como acha que será o seu relacionamento com ele?
Seria igual ao relacionamento com qualquer outro dos candidatos ao pleito. Reafirmo que a função e atuação do Conselho Fiscal independe de quem está sentado na cadeira do presidente. O Conselho Fiscal não pode e não deve escolher a quem vai fiscalizar, assim como a diretoria não pode e não deve escolher quem deverá fiscalizar os seus próprios atos.

E com os outros candidatos, tem um bom relacionamento?
Não tenho relacionamento nem bom e nem ruim, respeito muito a carreira e trajetória profissional de todos. Porém, como disse, o Conselho Fiscal deve sempre permanecer independente, sem associação direta a nenhum candidato. É isso que irá manter a credibilidade da entidade intacta no médio e longo prazo.
De que maneira o Michel Cardoso, o outro candidato habilitado, pode colaborar com o seu trabalho e os teus projetos?
Quero deixar claro que o Conselho Fiscal não tem nenhum plano de projeto, apenas a função de fiscalizar os atos praticados pela diretoria. Os projetos são e devem ser elaborados pela diretoria da entidade. 
Em relação ao Michel, só pelo fato de ele também aplicar como candidato autônomo já mostra que temos sinergia com essa mesma linha de pensamento, de manter a autonomia e independência do Conselho Fiscal. Esse com certeza será o grande foco do nosso trabalho, caso sejamos eleitos. Acho importante também haver uma reciclagem nos personagens e profissionais ligados à gestão do surfe brasileiro.
É super importante que pessoas capacitadas da nossa geração possam ocupar cargos relevantes e trazer a régua para cima, necessário esse movimento para tirar as pessoas da zona de conforto habitual.
Como se sentiu quando viu seu nome aprovado por edital?
Honrado e animado para tentar fazer a diferença, porém a habilitação da candidatura é apenas o primeiro passo. Ainda preciso ser eleito para que possa precisar exatamente o sentimento. 
Diante da realidade da geração atual, o que falta para o surfe brasileiro se afirmar de vez nacional e internacionalmente?
Eu já enxergo o surfe brasileiro bem afirmado no cenário nacional e internacional. Agora, o que pode ser melhorado nesse processo, é melhor perguntar aos candidatos à presidência da entidade.

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para esta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece nesta terça-feira (20) às 3h45 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.