Se existe uma regra não escrita no surf contemporâneo, ela diz que é preciso estar de pé, performar e levar tudo muito a sério. RIP4: Trad Relapse chega exatamente para fazer o oposto, e talvez por isso tenha sido descrito como “a melhor coisa no surfe em muito tempo” pela revista Monster Children.
Produzido pela Drag Board Co., criado e editado por Tim Bonython, o filme reúne nomes como Noa Deane, Harry Bryant e Dion Agius em uma proposta que abandona a postura clássica do surfe para abraçar o “prone zone”, o retorno ao bodyboard como linguagem estética e narrativa.
A essência do projeto é simples e, ao mesmo tempo, disruptiva: olhar para as tendências do surfe atual, reduzir o hype e satirizar tudo com inteligência. A própria Monster Children define a fórmula como uma mistura de crítica cultural, trilha sonora com pegada Y2K e um senso de humor autodepreciativo que expõe o lado “preposterous” (absurdamente exagerado) do esporte.
Mais do que um filme de surfe, RIP4 funciona como um manifesto visual. Ao trocar manobras progressivas em pé por linhas rasteiras e caóticas, o longa-metragem brinca com a ideia de que, no fim, todos estão apenas deslizando sobre água e talvez levando isso a sério demais. A estética lo-fi misturada com produção refinada reforça essa dualidade entre paródia e excelência técnica.
Outro ponto que chama atenção é o tom deliberadamente provocador. Em textos paralelos e críticas da cena, o filme é descrito como um “colapso coletivo” dos freesurfers rumo ao chão, abandonando o ego e abraçando o ridículo como linguagem criativa.
RIP4: Trad Relapse não é apenas entretenimento, é uma ruptura. Um lembrete de que o surfe também pode rir de si mesmo, desafiar suas próprias regras e, principalmente, se reinventar fora do padrão competitivo e performático.
Para o site especializado Vert Magazine, RIP4 é “um desperdício de banda larga intragável”, que mostra um grupo de homens de meia-idade com um descaso verdadeiramente incompreensível pelo bem-estar social e acrobacias aquáticas questionáveis. Parece que os produtores, da Drag Board Co., não estão endossando nenhuma das ações realizadas neste filme, comenta a Vert.
No fim das contas, o filme não tenta provar nada. Só quer lembrar que deslizar na água, em pé ou deitado, ainda pode ser divertido, caótico e, acima de tudo, livre.
Assista mais vídeos no canal Drag Board Co.













